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Bernardo Vilas Boas: (in) Coerências…!
DATA
06/04/2013 13:56:42
AUTOR
Jornal Médico
Bernardo Vilas Boas: (in) Coerências…!

Como se compreende que 2012 tenha sido o ano com menor número de USF a entrar em atividade (38), longe das 56 previstas nesse Despacho nº 9999, de 2012?

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"Apesar das fortes restrições orçamentais a que o País está sujeito, entende o Governo que o reforço das USF é um elemento imprescindível, em geral, da política de saúde, e, em especial, da política de organização dos cuidados de saúde primários, que não pode ser abandonado, devendo antes ser reforçado e aprofundado como uma experiência de organização dos cuidados de saúde que tem demonstrado contribuir para a melhoria da acessibilidade, da cobertura assistencial, da eficiência económica e, sobretudo, da qualidade efetiva dos cuidados de saúde prestados à população."

Não sou eu quem o afirma, é o Governo, no Diário da República, 2.ª série - N.º 143 - 25 de julho de 2012. Releiam, que vale a pena.

Então, como se compreende que 2012 tenha sido o ano com menor número de USF a entrar em atividade (38), longe das 56 previstas nesse Despacho nº 9999, de 2012?

O mesmo despacho afirma ser seu objeto contribuir "... de forma decisiva, para a criação de um quadro de previsibilidade e estabilidade para o planeamento dos cuidados de saúde primários pelas administrações regionais de saúde, nas respetivas áreas de atuação, para além de fornecer às equipas multidisciplinares interessadas na adoção do modelo destas unidades funcionais a informação certa quanto à vontade do Governo na constituição de USF."

Releiam, que vale a pena.

Então como se compreende que na região Norte existam oito USF a aguardar homologação para modelo B, quando em 2012 não foi sequer atingido o objetivo de 17 USF modelo B, previsto no referido despacho?

O relatório oficial publicado recentemente pela ARSN, relativo a 2011, afirma: "Em síntese as USF, independentemente do modelo organizacional, alcançam melhores resultados do que as UCSP em todos os indicadores". Além disso, reconhece o impacto positivo das USF modelo B.

No fundo, é um relatório que vem confirmar os factos conhecidos sobre estas organizações positivas e os inequívocos resultados de anos sucessivos, apresentados oficialmente pela ARS Norte, quanto ao valor das USF e ao efeito catalisador do modelo B.

Então, como se compreende a atuação do CD da ARSN, ameaçando com despedimentos de enfermeiros e secretários clínicos contratados a termo certo e impondo, no final do ano e não sujeitas a negociação, metas para custos em medicamentos e meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT)?

Quem está enganado?

- O governo? Serão aquelas, afirmações de mera conveniência?

- O CD da ARSN? Que não cumpre aquelas orientações?

Estamos face a um fenómeno social complexo, político e económico, com sete anos de evolução nos CSP, que envolve milhares de profissionais de saúde e milhões de cidadãos.

Para além da leitura de indicadores de desempenho, há dimensões de economia da saúde e de avaliação das USF, que não devemos esquecer, como são a satisfação dos profissionais de saúde, a satisfação dos utentes, a qualidade e a eficiência.

Precisamos de dirigentes com visão social e de saúde, que saibam impulsionar esta mudança ímpar, decidindo em coerência, com decisões baseadas em investigação e não no livre arbítrio de indivíduos mais ou menos bem colocados na administração de saúde.

A criação de novas USF e a melhoria da resposta às necessidades e problemas de saúde dos portugueses também depende da nossa capacidade de organização e de unidade. Neste sentido, a USF-AN vai continuar a sua missão de representação, partilha e desenvolvimento multiprofissionais, contribuindo para concretizar as justas expectativas dos profissionais de saúde que abraçaram este caminho.

 

Bernardo Vilas Boas

(Presidente da USF-AN)

Nota do editor: manteve-se a redacção ao abrigo do novo acordo ortográfico

 

 

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
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