Rui Cernadas: promoção da saúde
DATA
01/01/2014 14:34:34
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS

Rui Cernadas: promoção da saúde

[caption id="attachment_6762" align="alignleft" width="300"]ruicernadas Rui Cernadas
Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.[/caption]

Decorreu a meio do ano passado, em Helsínquia, a 8ª Conferencia Mundial de Promoção da Saúde, organizada no âmbito da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para os mais curiosos ou interessados, deixo a indicação de que podem aceder e fazer download do site da OMS de algumas das publicações das conclusões em http://www.who.int/healthpromotion/en/index.html.

O país foi envelhecendo a olhos vistos, num cenário que não sendo único em termos europeus, é bem evidente e preocupante num contexto que vai, de quebras de natalidade sem paralelo a um programa de assistência financeira que ninguém sabe prever quando estará concluído!

O coração, ainda que não pelas razões românticas que marcaram época em termos culturais e artísticos, tornou-se assim, clinicamente, o centro do mundo clínico.

Certamente pelo mediatismo e/ou espectacularidade que roda em torno da saúde – ou da doença, se preferirem – ainda que, legitimamente e não mal-intencionado.

Alguém, ou melhor, repetidamente, muitos são os que vão referindo que nos dias de hoje, as autoridades reguladoras do medicamento e da saúde pública, com compreensível razão, impediriam certos medicamentos de entrar no mercado.

Todos nos recordamos de muitos exemplos, eventualmente até com os corticosteróides à cabeça, antes do ácido acetilsalicílico ou até da varfarina…

Mas o que vamos assistindo é à defesa obstinada da protecção da função cardíaca, numa sanha encarniçada que inclui obviamente as reacções adversas a agentes farmacológicos e terapêuticos distintos.

Assim, questões como a da monitorização da função cardíaca, durante e depois da exposição terapêutica, ganharam acuidade e significado clínico que, em boa parcela, revolucionaram a investigação clínica.

Viu-se, por exemplo, a questão com os anti-inflamatórios não esteróides e os inibidores da Cox-2, em particular, a propósito do impacto nos valores tensionais e na função renal. Ou, mais tarde, idêntico efeito sobre o uso das tiazolidinedionas na diabetes mellitus. E mais recentemente até, a respeito da cardiotoxicidade das terapêuticas oncológicas que, até ao contrário do que se admitiu, ultrapassam largamente o risco exclusivo de ocorrência de cardiomiopatia.

Medicamente falando parece fazer sentido.

Realmente o próprio acidente vascular cerebral atinge proporções especialmente alarmantes entre os portugueses, com uma taxa de mortalidade das mais elevadas da União Europeia.

Em Portugal, as doenças cardiovasculares, no seu conjunto, constituem a principal causa de morte, a que se seguem as doenças oncológicas, na sua globalidade.

O que poderia ser estranho, se fosse explicado pelos “mercados financeiros”, dado que se sabe que a doença cardiovascular constitui a principal causa de morte nos países mais industrializados… O que foge do nosso retrato como país!

Os factores de risco de doença vascular, múltiplos como é sabido, incluem o valor elevado de colesterol LDL e o baixo valor de colesterol HDL, a hipertensão arterial, o tabagismo, a obesidade e a doença diabética.

Um esforço sério, até para controlo da despesa pública do SNS – que não só exercido à custa da política do medicamento – não pode ignorar a urgência duma intervenção planeada e transversal, coerente e nacional, que aposte na prioridade da prevenção e da promoção da saúde.

Sem esquecer que o processo aterosclerótico – o pai de todos os males? – começa na idade pediátrica.

 

Rui Cernadas
Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

Mais lidas