Jorge Nogueira: Santa Margarida
DATA
02/12/2014 10:57:46
AUTOR
Jornal Médico
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Jorge Nogueira: Santa Margarida

[caption id="attachment_10520" align="alignnone" width="300"]Nogueira, Jorge 2 Jorge Nogueira[/caption]

Um homem pergunta: - Como te llamas?
Responde o outro: - Juan
O 1º saca da pistola, mata o outro e acrescenta, enquanto volta a arrumar a pistola no coldre:
- Sabias demás

Velha piada mexicana

O homem chama-se Victor Manuel dos Santos Baptista: o sistema conhece-o por Vitor Batista – come-lhe assim duas consoantes, sem pedido de desculpa nem indemnização. A senhora chama-se Maria dos Prazeres da Cruz Monteiro e Silva: o sistema conhece-a por Maria Prazeres Cruz Monteiro Silva, limpando-lhe um “dos”, um “da” e um “e”. Outra senhora chamava-se Maria da Conceição Caça-Manhãs, passou a ser Maria Conceicao Caca Manhas.

O médico, de nome Francisco, chama para a sala de espera: Manuel Anjos Timoteu, a quem o sistema já comeu um “dos” (dos Anjos) e um acento agudo (em Timóteo). O doente, uma primeira consulta, pensa: Timoteu a tua prima. De resto, ninguém me chama Manuel, o meu nome é Manuel Francisco e sempre me trataram por Francisco, ou Xico. Este médico deve julgar que só ele é que se pode chamar Francisco. Só no seminário é que aqueles padres tiranos me chamavam Manuel. Ah, sim, e quando estive na prisão os guardas também me chamavam Manuel.

Deolinda Feliz Aparício: ninguém me chama Deolinda, detesto o nome, só mesmo o médico e o patrão é que me chamam assim. Ao fim de algumas consultas, o Dr. Francisco resolve pedir o endereço electrónico da doente, e ela cede-lho: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.. Faz um juízo: numa altura qualquer, aquela mulher conseguiu reconciliar-se com o nome, e inclusive brincar com ele no correio electrónico: Bravo! Maria Antónia Braz dos Ramos Falé, agora Maria Antonia Bras Ramos Fale, desapossada de um “dos” e de um acento agudo, além de lhe terem trocado um “zê” por um “esse”. O Dr. Francisco, que nunca permitiu que lhe chamassem Xico, já a conhece há vários anos. Chama para a sala de espera: Antónia Falé (ignora o sistema). Irra, já me divorciei há três anos e este tipo continua a chamar-me pelo nome do burgesso do meu ex-marido. Até parece que está do lado dele…

Nuno Alexandre Saldanha Luís, Luis para o sistema – parece luz dito com sotaque brasileiro. Nuno Luís, chama o médico: habituei-me ao Luís, pensa ele, mas fico sempre desconfortável quando me chamam Luís, parece um nome ao contrário, e Luís é o nome de um pai que me abandonou e que eu nunca conheci. Assino sempre Saldanha, como um beijo que mando à minha mãe. As queixas são o costume: obstrução nasal e febre de início recente. O Dr. Francisco passa uma declaração que diz: “Declaro para os devidos efeitos que Nuno Alexandre Saldanha Luis se encontra doente e nao pode cumprir as suas obrigaçoes profissionais pelo periodo provavel de tres dias, de 5 a 7 de Novembro. Por ser verdade e me ter sido pedido, passo a presente declaraçao, que dato e assino.”

Obrigado, sistema, por nos deixares ficar com algumas cedilhas (embora, sabiamente, só algumas)!…

P.S. Obviamente, qualquer semelhança entre os nomes que inventei e pessoas reais é mera coincidência.

800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

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