Jornal Médico Grande Público

Mário Dinis Ribeiro: endoscopia em 2035 - que futuro antecipar?
DATA
22/06/2015 15:00:10
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS

Mário Dinis Ribeiro: endoscopia em 2035 - que futuro antecipar?

[caption id="attachment_14659" align="alignnone" width="300"]MarioDinisRibeiro Mário Dinis Ribeiro - Director de Serviço de Gastrenterologia, Instituto Português de Oncologia do Porto - Professor Catedrático Convidado, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto[/caption]

É actualmente consensual que a endoscopia digestiva assume um papel primordial no rastreio, no diagnóstico atempado e no tratamento, definitivo ou complementar, de múltiplas situações de doença digestiva. Por outro lado, as doenças primárias do foro digestivo são prevalentes mas o tubo digestivo é igualmente sede de repercussões de outras doenças, como as inflamatórias, infecciosas ou ainda como consequência de outras intervenções. Atendendo a esta realidade, assistimos nos últimos anos a um desenvolvimento ímpar da área da endoscopia digestiva.

Da melhoria da imagem endoscópica – aspecto crucial para o reconhecimento de alterações, com possibilidade mesmo de microscopia ou observação de alterações extra-digestiva através do uso de técnicas complementares de imagem como a ultra-sonografia (ecoendoscopia); do manuseamento, tipologia e tamanho dos endoscópios – de várias dimensões com possibilidade de ultrapassar estenoses do lúmen a atingir a via biliar de forma directa –, à cápsula endoscópica, forma bastante menos invasiva de avaliação de todo o tubo digestivo; e ainda à variedade de dispositivos auxiliares que permitem, por exemplo, a aquisição de material biológico luminal ou extraluminal ou exérese de lesões de forma curativa.

Este desenvolvimento deverá trazer, igualmente, outras formas de realizar ou olhar a tecnologia endoscópica. Assim sendo, durante a Semana Digestiva, abordámos o que podemos esperar dos novos avanços, partindo de procedimentos existentes e discutindo os novos paradigmas que poderão advir.

Apesar de mote de discussão, existem já evidências do uso sistemático das diferentes tecnologias, em cenários em que anteriormente a sua utilização não era defendida.

As questões a que é preciso dar resposta abundam. Que papel pode ter a existência de uma cápsula endoscópica noutras áreas para além do delgado ou cólon e para além do diagnóstico? A observação corrente por uma cápsula do intestino delgado representará um paradigma para outros órgãos e situações? Antevemos cápsulas com possibilidades de utilização em situações de rastreio? Ecologicamente viáveis? Com possibilidades terapêuticas? Com outras formas de aquisição de imagem?

Teremos igualmente, nas próximas décadas, como realidade quotidiana – hoje apenas realizada em situações limite – a passagem propositada da parede digestiva e a não restrição aos lumens digestivos ou biliares. Mas continuaremos a abordar o extraluminal de forma indirecta ou com visualização directa? Se acima de tudo, o desejo é o de ver todo o tubo digestivo e determinar a doença “mais diminuta, mais estável, mais longínqua”, também aqui, depois do grande entusiasmo com a abordagem cirúrgica por orifícios naturais, os resultados que advierem focar-se-ão na resolução de patologias extraluminais ou transmurais com a endoscopia a mover-se para “a cirurgia luminal, sem orifícios, segura e eficaz”.

Estes temas são por demais relevantes inclusive para a educação e treino bem como para a definição de linhas de investigação dos vários serviços de gastrenterologia que têm acompanhado estes desenvolvimentos. De facto, em Portugal, os mais recentes desenvolvimentos estão bem implementados e ao serviço dos doentes – existem condições instaladas de prática clínica, treino e investigação ao nível do que de melhor se faz a nível internacional.

Estamos certos que dos debates que irão ocorrer resultarão benefícios para os doentes que assim poderão beneficiar de abordagens menos invasivas, mais cómodas, seguras e eficazes.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

news events box

Mais lidas