José Agostinho Santos: a sabedoria do Dalai Lama
DATA
09/09/2015 18:45:43
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Jornal Médico
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José Agostinho Santos: a sabedoria do Dalai Lama

[caption id="attachment_12142" align="alignnone" width="300"]Jose_Agostinho_Santos José Agostinho Santos - Médico de Família - Unidade de Saúde Familiar Dunas, ULS – Matosinhos - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.[/caption]

Numa das minhas leituras recentes em tempo de férias, entregue ao deleite sereno dos dias que potencia a vivência contemplativa de todos os momentos, pude ler duas frases do inspirador Dalai Lama que na minha mente rapidamente ascenderam da mera curiosidade à constatação “poderosa”.

Frases do discurso sempre iluminado deste Homem que alguém agarrara e fixara em papel. Diziam o seguinte: “Amor e compaixão não são luxos mas sim necessidades. Sem elas, a humanidade não conseguirá sobreviver.”

Se desde há muito havia assimilado que tanto o amor como a compaixão são vias para uma mente mais tranquila – e consequentemente mais saudável – esta nova perspetiva, que faz delas vias essenciais para a sobrevivência da espécie humana arrebatou-me em escassos minutos.

Poderia enumerar um sem número de exemplos que dariam suporte ao pensamento deste simples – mas tão à frente do seu tempo – Guia Tibetano, mas fico-me por apenas um, bem recente, momento da História que o comprova.

Há cerca de um ano o mundo tremia com a expansão do surto de ébola dos poucos países africanos afetados para países de outros continentes.

Sendo o ébola uma doença viral identificada pela primeira vez em 1976 parecerá estranho que apenas décadas após a sua descoberta o mundo se agitasse perante a sua presença, desenvolvendo todos os esforços ao seu alcance para desenvolver uma vacina eficaz… Algo que viria a acontecer em poucos meses.

Ora, a verdade é que ao longo de décadas, inúmeros africanos, vítimas deste vírus, perderam as suas vidas preciosas, deixando os seus filhos, os seus pais e os seus amigos inconsoláveis. O resto do mundo, então, pouco se agitou. Faltou-lhe essa força motriz chamada compaixão.

Um vazio de entrega e de amor que poderia ter causado, décadas mais tarde, o alastrar de um surto mortífero para o resto do mundo.

Numa corrida contra o tempo e com a disponibilização de recursos invulgarmente elevados, o surto foi contido.

E foi assim que, felizmente, não se perderam em Portugal nem na maioria dos demais países do mundo pais prostrados em sofrimento pelo ataque viral, nem vimos os nossos companheiros numa angustiante interrupção de todos os momentos de vida como acontecera nas décadas anteriores por ausência de compaixão.

Deste exemplo fica a certeza de que a compaixão não é, de facto, um luxo, mas um elemento essencial à nossa sobrevivência enquanto espécie. A História e as nossas próprias vidas já nos provaram que ao virarmos de direção para não lidarmos com o sofrimento dos outros, acabamos por ver o sofrimento atacar-nos pelas costas. Assim como quem negligencia o próximo, negligencia, na verdade, a preciosidade da sua vida.

Neste micromundo em que vivemos dia após dia, não será a compaixão igualmente uma necessidade para a nossa sobrevivência enquanto almas humanas únicas? Quem poderá sobreviver, enquanto ser e alma, num mundo onde não existe o amor nem compaixão? Quem poderá expressar-se inteiramente – e assim viver em paz – se vive no teatro do apego, inveja e alienação egoísta?

Quem, dominado pelos apegos egoístas da mente, consegue expressar a sua essência-base?

Será que boa parte de nós já nem sabe sobreviver?

…Questões que ficam!

Assim é a vida. Bom trabalho!

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Editorial | Jornal Médico
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