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Rui Cernadas: desculpem mas eu li! O logro
DATA
09/10/2015 15:35:20
AUTOR
Jornal Médico
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Rui Cernadas: desculpem mas eu li! O logro

[caption id="attachment_11851" align="alignnone" width="300"]CernadasRui1 Rui Cernadas - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.[/caption]

Os Portugueses consideram a saúde como um bem inestimável, valorizado como um princípio de cidadania reforçado pelo facto da universalidade do SNS ter tido efeitos marcadamente inclusivos e ser, na verdade, o principal exemplo entre nós da chamada coesão social.

É natural que, por outro lado, face à proximidade de tempos eleitorais, as pessoas se comportem livremente em função dos seus legítimos interesses, expectativas e alinhamentos político-partidários.

Uma das ideias mais escalpelizadas nos últimos anos respeita à reforma dos cuidados primários de saúde (CSP). O tema e a sua importância, de resto, justificam a insistência.

Pode dizer-se que faltou estratégia de longo prazo e que, porventura, os inúmeros e inesperados problemas com as dívidas do Estado em geral e as da saúde, em particular, terão “enterrado” outras preocupações ou hierarquizado os problemas de outra forma.

Tenho para mim que a seu tempo isso será entendido um pouco como o foi o investimento e a persistência de autarcas e das câmaras municipais com o foco no saneamento e na distribuição da água canalizada, hoje inquestionável no sucesso de alguns indicadores de saúde.

Por outro lado, a tutela da saúde manteve prolongado diálogo e negociação com as estruturas sindicais. Não terá - não digo esse fato em si - mas a castração para o debate com a participação de outros atores, como as ordens profissionais, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar ou a ULS-AN, as associações de doentes, as instituições universitárias ligadas à saúde esvaziado ou afunilado, no mínimo, a reflexão e a abrangência em redor do processo de desenvolvimento dos CSP em Portugal?

Em que medida não nos perdemos em discussões de contornos ou natureza meramente laboral ou profissional no limite, sem qualquer impacto nos planos assistenciais, na promoção da saúde ou até na qualidade?

Basta atentar, por exemplo, no esforço para definir e criar incentivos à fixação dos profissionais da saúde nas chamadas zonas mais periféricas e ligadas a uma maior rarefação demográfica.

A rarefação demográfica não é, todavia, a única justificação para a carência de recursos qualificados… Afinal de contas, é no território em volta de Lisboa que a falta de médicos de família é mais acentuada

Ou um outro tema para reflexão.

Nos últimos tempos, tudo e todos reclamam o alargamento e aumento do número de camas na rede nacional de cuidados continuados. Isto sem sequer se ter iniciado uma articulação clínica ou aprofundado a relação técnica operacional entre os diversos níveis prestadores de cuidados…

Ou mesmo se equacionou a discussão séria que se impõe, quanto à alteração do paradigma assistencial marcado pelo aumento claro da procura no que se refere às doenças crónicas e degenerativas e uma diminuição da procura associada às doenças infetocontagiosas, num cenário global de envelhecimento óbvio?…

Os problemas da saúde não são simples nem fáceis de discutir.

E menos ainda de solucionar.

Na verdade, os médicos dizem muitas vezes que o importante é tratar doentes e não doenças, o que nunca deixa de ser uma alfinetada, justa e inquestionável, nos que pensam que a medicina é uma ciência exata.

Mas os problemas, na saúde, são assim mesmo, todos iguais, todos diferentes…

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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