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Professora Doutora Teresa Bandeira: congresso Nacional de Pediatria - Várias razões para participar!
DATA
15/10/2015 17:38:33
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Professora Doutora Teresa Bandeira: congresso Nacional de Pediatria - Várias razões para participar!

[caption id="attachment_16525" align="alignnone" width="300"]Bandeira, Prof. Teresa ( Pneumo Ped. HSMaria) Professora Doutora Teresa Bandeira - Pediatra, HSM, CHLN, Centro Académico de Lisboa - Presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria[/caption]

Bem-vindos ao 16.º Congresso Nacional de Pediatria (CNP), que decorrerá de 21 a 24 de outubro, no Centro de Congressos do Algarve, em Albufeira.

Detalhamos as razões pelas quais a Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), criada em 1948, organiza a 16.ª edição do CNP, referimos os alicerces dos temas selecionados e das opções evolutivas do Congresso, o grande fórum de debate da Pediatria Nacional.

A SPP incentivou desde sempre os encontros pediátricos, inicialmente com discussão de doentes, e de dois em dois anos, com as Jornadas Internacionais de Pediatra, em que participavam colegas europeus. O “I Congresso Nacional de Proteção à Infância” decorreu em 1952. Durante três dias reuniu 400 congressistas: médicos, professores, sacerdotes, juristas e trabalhadores sociais e, à época, influenciou tomadas de decisão políticas relacionadas com a criança.

Em 1986 teve lugar a 1.ª edição do Congresso Nacional de Pediatria, passando a ter realização trienal até 2008, coincidente com a finalização de cada mandato do grupo diretivo da SPP. Existiam simultaneamente Jornadas Regionais, anuais, da responsabilidade da SPP e dos diversos hospitais, geograficamente rotativas. Em 2008, com Luís Januário, iniciou-se a edição anual do Congresso, decorrendo este ano o 9.º consecutivo.

A preocupação dos pediatras durante grande parte do século XX centrou-se na mortalidade infantil e nas condições sociais dos portugueses. Em 1943 a mortalidade infantil era superior a 100‰, uma das mais elevadas da Europa. Não existia um serviço de saúde acessível a todos, os hospitais estavam pouco preparados para receber crianças, com sacrifício sobretudo das que nasciam em classes socioeconómicas e culturais mais desfavorecidas. Em 1973, a mortalidade infantil situava-se em 44,8‰! Medidas como a nutrição, a vacinação, a reorganização dos cuidados de Saúde, quer hospitalares quer no ambulatório foram determinantes deste progresso.

Ao mesmo tempo, evoluíam a ciência, a tecnologia e a organização de cuidados de saúde. A Pediatria diferenciava-se em áreas especializadas, que a modificação de estatutos da SPP, em 1979, veio permitir que se constituíssem em secções, a primeira das quais a de Pediatria Social.

Em 1981, a mortalidade infantil era de 21,4‰, mas a mortalidade neonatal era muito elevada (15,5‰). O investimento no período neonatal, determinou a nomeação, em 1989, da 1.ª Comissão Nacional de Saúde Materna e Infantil (CNSMI), constituída por obstetras e pediatras e liderada por António Baptista Pereira e António Torrado da Silva.

Gradualmente acompanhou-se a evolução dos restantes países da Europa destacando-se as profundas alterações demográficas, a redução da mortalidade infantil (em 2014 de 2,8‰), mas também da natalidade, os movimentos populacionais, as alterações dos comportamentos, da rede social, as consequências da evolução técnico-científica aplicadas à pediatria, incluindo as fronteiras da genética e da medicina molecular, as influências ambientais e a Educação Médica.

“Deem-me uma criança até aos sete anos e eu vos mostrarei o homem”. A ideia de que os primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional de uma pessoa, não é nova.

São estes os grandes vetores do 16.º Congresso Nacional de Pediatria.

Como em outros anos, existe um forte contributo científico por parte das 17 Sociedades e Secções Especializadas da SPP, que promovem a discussão atualizada sobre diversos temas, desde a urgência e emergência pediátricas, à doença crónica, infecciosa, perturbações do desenvolvimento e da aprendizagem, mas também diversidade e exposição como bilinguismo, toxicofílias. É uma oportunidade para encontrar destacados especialistas nacionais e internacionais.

Existirão palestras sobre saúde global, infâncias digitais, hipersensíveis, stress tóxico continuado, vacinação e nutrição. Um número significativo de estudos e casos clínicos serão apresentados e Prémios e Bolsas atribuídos aos mais destacados ao longo do ano e no Congresso. Teremos seis cursos: três especializados (Pneumologia, Gastrenterologia e Dermatologia), um de Pediatria Geral, outro de formação avançada em revisão de artigos científicos e finalmente, naquela que ainda é a maior causa de morbi mortalidade em Portugal, decorrerá um curso um de hipertensão arterial, porque é na infância que está parte da sua génese.

A Sessão de Abertura centrar-se-á em redor do 50.º aniversário do Programa Nacional de Vacinação e dos 25 anos da ratificação da Convenção dos Direitos da Criança, dando palco a Instituições e Individualidades que têm promovido, em Portugal, a Criança como prioridade.

Grande relevo terá o 2.º Encontro Luso-Espanhol de Internos de Pediatria, que decorrerá no sábado, 24 de outubro. Num ambiente distendido discutir-se-ão a formação dos pediatras e as futuras exigências e responsabilidades profissionais, face aos desafios que se colocam ao exercício atual da Pediatria, em especial no Espaço Ibérico.

Este Congresso só é possível pela participação de todos e pelo suporte da Indústria do Medicamento, da Nutrição, da Vacinação, e Técnica.

Não deixem de participar! A vossa presença é importante!

Bibliografia:

Levy M L. 50 Anos de Pediatria em Portugal. Acta Pediatr Port, 1999; 30: 93-9

Machado MCS.  Comissão Nacional de Saúde da Criança e do Adolescente 2004-2008. Alto Comissariado da Saúde 2009

Portugal Direção-Geral da Saúde. Direção de Serviços de Informação e Análise. A Saúde dos Portugueses. Perspetiva 2015

http://www.pordata.pt/Portugal/Taxa+bruta+de+mortalidade+e+taxa+de+mortalidade+infantil-528, consultado em 2015, 10 de Agosto

Demography still dictates destiny for children with disabilities. The Lancet, 386: 9993, 503

American Academy of Pediatrics: Policy Statement: Definition of a Pediatrician. Committee on Pediatric Workforce. Pediatrics 2015; 135:4 780-781

Stiris, Tom et al. Improving paediatric care in the community The Lancet , 385: 9977, 1505

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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