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Célia Costa: é necessário conhecer a urticária
DATA
10/11/2015 17:38:34
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Célia Costa: é necessário conhecer a urticária

[caption id="attachment_16836" align="alignnone" width="300"]Costa, Célia Célia Costa - Médica Imunoalergologista no Hospital de Santa Maria - CHLN[/caption]

Um em cada cinco portugueses vai sofrer pelo menos um episódio de urticária ao longo da sua vida, podendo afetar qualquer idade. Embora a urticária seja uma doença comum, continua a ser subdiagnosticada e subvalorizada pelos clínicos e pela população em geral.

A urticária caracteriza-se pelo aparecimento de manchas avermelhadas com um certo relevo que induzem uma comichão intensa, que individualmente desaparecem em menos de 24 horas mas que aparecem noutro local da pele. Estas lesões habitualmente são redondas ou ovais, com vários milímetros até poucos centímetros e, menos frequentemente, podem ser irregulares ou de tamanho variado. Na doença grave, muitas destas lesões podem juntar-se para formar placas confluentes de grandes dimensões. Envolvem predominantemente as extremidades e o tronco mas podem aparecer em qualquer parte do corpo. A urticária pode ou não ser acompanhada de angioedema, ou seja, edema (inchaço) que ocorre sobretudo nas camadas da pele mais profundas ou nas mucosas (lábios, língua, genitais) em que as lesões têm pouco ou nenhuma comichão e o edema (inchaço) pode ser descrito como doloroso ou com sensação de queimadura, sendo a sua resolução mais lenta do que as manchas e pode durar até 72 horas. A urticária aguda (duração inferior a seis semanas) é mais prevalente do que a urticária crónica (duração superior a seis semanas). Na urticária aguda em que a causa é identificada, as infeções, os alimentos e os fármacos são as causas mais frequentes. As picadas de insetos e as doenças sistémicas mais raramente estão implicadas. Na urticária crónica é muito raro o envolvimento de fenómenos de alergia e na maioria dos casos as lesões cutâneas (manchas e/ou angioedema) aparecem de forma espontânea na pele, sem que seja necessário a existência dum fator desencadeador, sendo designada por urticária crónica espontânea. No entanto, de acordo com a história clínica do doente, fatores de agravamento como medicamentos, aditivos alimentares, doenças autoimunes, infeções crónicas, devem ser identificados. A urticária crónica tem uma duração média de 4-5 anos mas em 20% dos doentes pode durar até 20 anos.

A urticária crónica é uma doença que compromete não apenas o aspeto físico, mas também o social e o emocional. Esta patologia tem um impacto significativamente negativo na qualidade de vida dos doentes, nomeadamente o desconforto produzido pelo prurido (comichão intensa) por longos períodos de tempo, a ansiedade causada pela imprevisibilidade do seu reaparecimento e a incapacidade provocada pelos surtos.

Este impacto negativo na qualidade de vida dos doentes estende-se por vários domínios, sobretudo as alterações do sono (diminuição da qualidade e da duração do sono, com despertares frequentes), comorbilidades psicológicas como ansiedade e mesmo depressão, isolamento social, restrições no vestuário, limitação nas atividades lúdicas, diminuição da exposição solar, interferência na sexualidade do doente e vergonha de expor o corpo.

Todos estes fatores têm implicações na capacidade de concentração e produtividade do doente, com consequente absentismo e presentismo (estar presente mas com menor capacidade de trabalho devido aos sintomas físicos e emocionais), contribuindo para os elevados custos diretos e indiretos associados a esta doença.

Adicionalmente, os doentes com urticária deparam-se com outro problema que é o desconhecimento da sociedade relativamente a esta doença, tendem a confundi-la como uma doença de origem infeciosa e consequentemente contagiosa.

Por todos estes motivos, é tão importante contribuir para o aumento de divulgação e informação correta e credível em torno do tema urticária!

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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