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DATA
11/11/2015 12:00:28
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Jornal Médico
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Rui Cernadas: desculpem mas eu li! Os “rankings”

Alguém me dizia, com propriedade, que os rankings valem pelo que valem e por norma, na verdade ajudam sempre a perder tempo. E dava como exemplo, na área profissional em que se movimentava – não clínica obviamente – que a empresa multinacional em que trabalhava estava muito confortável no respetivo ranking.

- Está classificada em segundo lugar, informou.

Dei-lhe os parabéns. A resposta, imediata, surpreendeu-me:

- “Bolas… Parabéns? Somos a penúltima!

Vem isto a propósito do modo como pude ler as notícias que, recentemente, resumiam um longo relatório de uma organização chamada “HelpAge” e que publica anualmente um índice “Global AgeWatch”.

A primeira das informações que li dizia que Portugal era o terceiro pior país da Europa Ocidental em termos de garantia “do bem-estar social e económico das pessoas com 60 ou mais anos de idade”.

Um pouco à frente, já afirmava… “alcançando a 38.ª posição a nível mundial”…

E mais adiante ainda, precisava que avaliados 96 países do mundo, “Portugal aparece em 38.º lugar, ou seja, entre os quarenta melhores e acima do meio da tabela”!

Por fim, acentuava ainda a ideia de que, na lista dos países, os primeiros 19 lugares são ocupados pelas nações mais industrializadas…

Sem comentários.

Mas será relevante deixar duas ou três notas sobre esse relatório e índice.

Por indicadores, o pior resultado foi obtido em “matéria de capacitação, que inclui o emprego e a educação entre as pessoas mais velhas”. Acrescenta a notícia que, para esse mau resultado, contribuem também as elevadas taxas de desemprego.

Os estrangeiros podem ignorar a situação portuguesa e não entender que a aposentação ou a reforma, entre nós, ainda que por argumentos diversos e igualmente válidos, é um estado de vida extremamente comum nesse escalão etário…

Os mais novos, em Portugal, também podem não saber a história de Portugal e o que era, à data da revolução do 25 de Abril, a iliteracia e o analfabetismo gigantescos e dramáticos que se registavam em Portugal. A indiferenciação da mão-de-obra ao longo de décadas, a ausência de formação profissional capaz… E que não tivesse servido apenas para desbaratar fundos comunitários e nacionais…

Porém, quando se detalha o Relatório, lá vem o destaque para o indicador de estabilidade no rendimento dos idosos, com o reconhecimento de que em Portugal todas as pessoas com mais de 65 anos têm acesso a uma pensão.

Uma outra nota respeita à expectativa de vida aos 60 anos, que para os portugueses é de mais 24 anos, 18 dos quais com plena saúde. Outro dado: “86% das pessoas com mais de 50 anos sente que a sua vida tem sentido”…

Uma última palavra para a saúde.

No ano em que o Serviço Nacional de Saúde comemora os seus 35 anos de existência, este estudo confirma que o sector da saúde continua a ser um pilar estrutural e forte, que mantém um padrão assistencial “de qualidade e a preços razoáveis, com os quais a maior parte da população conta”.

Vale de novo a pena ir à memória e comparar com o que os cidadãos achavam e sentiam pelos antigos “serviços médico-sociais”, a “Caixa”, como se lhe chamava…

Se em índices como o que hoje aqui trouxemos, os países da frente são a Suíça, a Noruega, a Suécia e a Alemanha, o que nos espanta isso?

O problema está em querer ser, como nas célebres fábulas de La Fontaine, como a rã que quis ser como o boi… E o tentou, inchando e crescendo até estourar!

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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