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João Guerra: funções e aplicabilidade da Gestão da Saúde Populacional
DATA
18/12/2015 14:00:22
AUTOR
Jornal Médico
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João Guerra: funções e aplicabilidade da Gestão da Saúde Populacional

[caption id="attachment_17116" align="alignnone" width="300"]Guerra, João João Guerra - Consultor Medicina Interna - Mestre em Gestão da Doença Crónica - Senior Medical Officer (IntSOS Medical Center) - Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.[/caption]

A Gestão da Saúde Populacional (GSP) requer que os profissionais de saúde desenvolvam novas competências e novas infraestruturas para a prestação dos cuidados. A automatização dos procedimentos é crucial para assegurar que todo o doente, individualmente, recebe os cuidados preventivos, atuais e de transição entre os diferentes sectores de cuidados adequados. A automatização pode, também, ajudar as instituições a operacionalizar a GSP de forma eficiente, sem hiatos, de forma a otimizar o rácio de custo-efetividade deste investimento. Para que o registo eletrónico de saúde (RES) seja útil à gestão efetiva das doenças crónicas, deve incorporar as aplicações informáticas de GSP a fim de tornar possível a introdução dos processos de GSP na rotina do trabalho diário, viabilizando assim a deteção imediata dos doentes de alto risco e as ações requeridas para prevenir deteriorações clínicas por falta de acompanhamento adequado e omissão de procedimentos protocolares inadiáveis. Os RES e os dispositivos de automatização devem, assim, ser usados para apoiar as seguintes funções essenciais da GSP:

  • Identificação da população;
  • Identificação dos hiatos de cuidados;
  • Estratificação do risco;
  • Compromisso do doente;
  • Gestão dos cuidados;
  • Medição dos resultados.

Ao aplicarem estas funções a todas as dimensões da GSP, os RES e a automatização capacitam as instituições e os seus profissionais de saúde a prestarem cuidados de qualidade a milhares de doentes, de uma forma eficiente e sustentável. Como resultado, a transição do volume para o valor será mais suave e terá uma maior probabilidade de conduzir aos resultados que prestadores e gestores da saúde desejam para as suas instituições e os seus doentes.

Neste sentido, a GSP é fundamental e incontornável para a transformação do modelo vigente de prestação de cuidados. Para qualquer médico ou enfermeiro, individualmente considerado, isto significa conhecer o que vai acontecer com todos os seus doentes crónicos e tomar, automaticamente, as medidas proativas indicadas para alcançar os melhores resultados.

Isso exigirá a definição de objetivos claros, a participação ativa das lideranças – incluindo os líderes médicos, uma avaliação cuidada das necessidades e adequação das tecnologias de informação (TI) e uma estratégia de implementação eficaz. Neste propósito é pertinente lembrar que as TI, por si só, não conduzem a mudanças nas práticas nem nos resultados. As TI sem interação com novos e eficientes fluxos e processos de trabalho, não irão funcionar. Se informatizarmos sistemas ineficientes, o que obteremos é a aceleração da ineficiência. Quando há interação entre os dados suportados pelas tecnologias e as pessoas (profissionais e doentes) a saúde populacional melhora (Christianson, J.B., et al., 1988). Temos de consciencializar-nos de que estamos perante uma revolução emergente dos cuidados de saúde que conduzirá, inexoravelmente, a uma prática da medicina que irá ser mais preditiva, mais preventiva, mais personalizada e mais participativa. Antecipemos, pois, o futuro!

 

Referências

1. Kindig, D., Stoddart, G. (2003) Mar What is population health? American Journal of Public Health; 93(3):380–3.

2. Howe, R., and Spence, C. (2004). Population health management: Healthways’ PopWorks. HCT Project, volume 2, ch., 5, pages 291-297.

3. Coughlin, J.F., Pope, J., Leedle, B.R. (2006). Old age, new technology, and future innovations in disease management and home health care. Home Health Care Management & Practice. 18(3):196-207.

4. Care Continuum Alliance (2012). Implementation and Evaluation: A Population Health Guide for Primary Care Models. Population Health Management. http://www.populationhealthalliance.org/publications/population-health-guide-for-primary-care-models.html. Acedido em 28 de Agosto de 2015.

5. Kizer, K.W., (2013, May, 17). Population Health Management, Clinical Integration and Systemness: Keystones for Future Health System Survival. http://www.ucdmc.ucdavis.edu/iphi/resources/Presentations/HospCouncilofNorthern&CentralCASymposium_05172013.pdf. Acedido em Ago, 2014.

6. Christianson, J.B., et al. (1988). Restructuring Chronic Illness Management – Best Practices and Innovations in Team-based Treatment. San Francisco: Jossey-Bass Publisher.

7. Institute for Health Technology Transformation (2012) Population Health Management-A Roadmap for Provider-Based Automation in a New Era of Healthcare.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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