“Não posso curar, mas então o que posso fazer?”
DATA
09/10/2018 09:20:07
AUTOR
Sandra Magano Silva
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“Não posso curar, mas então o que posso fazer?”

A cultura dominante da sociedade ocidental tem considerado a cura da doença como o principal objetivo dos serviços de saúde. Contudo, o aumento da longevidade, das doenças crónicas e as alterações na rede familiar e social, têm tido impacto crescente na organização dos sistemas de saúde e nos recursos especificamente destinados aos doentes crónicos.

Existe frequentemente a confusão nos conceitos de doente em cuidados paliativos, doente terminal e doente agónico. Um doente a receber cuidados paliativos não é inevitavelmente um doente terminal. Todos os utentes com doenças crónicas sem resposta à terapêutica de intuito curativo e com prognóstico de vida limitado são candidatos a Cuidados Paliativos.

Inicialmente, este tipo de Cuidados destinava-se apenas aos doentes oncológicos nos estadios terminais da doença. Com o desenvolvimento da paliação, o âmbito da prestação de Cuidados Paliativos alargou-se a situações como: insuficiências avançadas de órgão (cardíaca, hepática e renal), SIDA, doenças neurológicas degenerativas, demências na sua fase final, que passaram a figurar no vasto leque das patologias cujos doentes beneficiam deste tipo de Cuidados, uma vez que apresentam um grau semelhante de desconforto sintomático (dor, a dispneia e a astenia) ao dos doentes oncológicos.

Os Cuidados Paliativos regem-se por uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida dos doentes – e suas famílias – que enfrentam problemas decorrentes de uma doença incurável e/ou grave e com prognóstico limitado, através da prevenção e alívio do sofrimento, da preparação e gestão do fim de vida e do apoio no luto, com recurso à identificação precoce e tratamento rigoroso dos problemas não só físicos mas também psicossociais e espirituais. É de salientar que a prestação de Cuidados Paliativos a doentes não oncológicos é dificultada pelo prognóstico incerto da maioria das doenças não oncológicas avançadas, uma vez que apresentam uma trajetória flutuante, pelo que assumem importância progressivamente maior de acordo com as necessidades dos doentes e a evolução da doença, sendo o seu modelo de intervenção flexível.

Assim sendo, quantos de nós, na prática diária em Medicina Geral e Familiar nos deparámos com estes casos e somos confrontados pelos doentes, familiares e cuidadores com a questão: “E agora o que podemos fazer? O que vêm depois? O que nos espera?”.

Os Cuidados Paliativos são cuidados intensivos de conforto, que têm a vontade e metas do doente, e sua família/cuidadores, como ponto fundamental na prestação de cuidados. É então essencial uma abordagem dinâmica, não reservando os Cuidados Paliativos apenas para a fase agónica.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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