Jornal Médico Grande Público

Desculpem, mas eu li! Pela prevenção? Sempre!
DATA
15/02/2019 11:30:41
AUTOR
Rui Cernadas
ETIQUETAS

Desculpem, mas eu li! Pela prevenção? Sempre!

Os anos vão passando e continuamos, pese embora uma tendência continuada e favorável, uma luta incessante contra as doenças cardiovasculares (DCV).

Os cuidados de saúde primários (CSP) devem atuar nas várias dimensões da prevenção primária e de modo infatigável em todas as oportunidades suscitadas, procurando adequar a cada indivíduo, as diversas intervenções em prol do que se chama hoje healthy lifestyle.

Na realidade, os custos globais e encargos com este inimigo, vascular por definição e inflamatório por atuação, é brutal e estima-se em cerca de 200 milhões de euros o impacto na Europa, entre custos diretos e indiretos.

Em Portugal, o panorama é o que se conhece e apesar de Programas próprios da Direção-Geral de Saúde, o combate está muito longe de ser ganho.

É verdade que as principais patologias vasculares apresentam etiologia multifatorial. Mas, é igualmente certo que a hipertensão arterial surge, quase sempre, como um denominador comum, até pela sua elevada prevalência entre os portugueses. Sabemos ainda que a diminuição da pressão arterial pelo efeito do tratamento só por si é responsável pela redução dos riscos e em função linear da magnitude dessa descida tensional.

Ora, só este dado justificaria um investimento público na divulgação da mensagem educacional da adesão e persistência à terapêutica. Mas, infelizmente não tem sido esta a estratégia seguida pelos decisores políticos, apostados sempre em investir ou gastar em coisas mais mediáticas, mesmo que inúteis, como hospitais injustificados e desnecessários.

Pensando por outro lado no peso da diabetes, da obesidade e da dislipidemia parece inquestionável a necessidade de apostar na educação para a saúde e na prevenção da doença.

Há um conjunto de fatores positivos que beneficiariam largamente os nossos cidadãos e contribuiria, decisivamente, para poupança de despesa e descida da mortalidade, como sejam a cessação do consumo de tabaco, a redução da ingestão de bebidas alcoólicas, o controlo do peso e da relação peso-estatura, a prática de exercício físico regular e continuado, uma boa hidratação e regimes alimentares equilibrados, adaptados e saudáveis e o controlo tensional.

Justifica-se, enfim, que se explique à opinião pública o efeito deletério exponencial destes fatores, bem superior à mera adição dos mesmos.

O tratamento farmacológico é a pedra angular depois da adoção das medidas de alteração e correção dos estilos de vida. E aí, o cumprimento escrupuloso das indicações e prescrições dos médicos é fundamental.

A racionalidade pedagógica em saúde precisa de várias etapas no seu desencadeamento estratégico: a aposta dos decisores políticos, o investimento preventivo, a determinação dos profissionais de saúde, o envolvimento dos media nas mensagens-chave e o alinhamento com uma política social e de saúde transparente e orientada para a promoção de uma sociedade mais justa e mais saudável!

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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