Medicina Geral e Familiar e Serviço de Urgência hospitalar
DATA
20/09/2019 10:23:58
AUTOR
Sara Laureano Alves
ETIQUETAS


Medicina Geral e Familiar e Serviço de Urgência hospitalar

Sou interna do quarto, e último, ano do internato de Medicina Geral e Familiar (MGF) e quando escolhi esta especialidade tive poucas dúvidas. A vontade de ser médica de família era muita.

A especialidade de MGF para mim é especial: queria fazer parte do grupo de médicos com um contacto muito próximo do doente, da especialidade em que o doente sabe exatamente como nos procurar e da especialidade em que conhecemos o contexto daquele utente (as crenças, a religião, a sua família, as condições de habitação e o suporte familiar) e que podemos adequar a nossa consulta consoante estamos a atender o Sr. Manuel ou a Dona Conceição.

No final do primeiro ano de internato, à medida que fui tendo mais autonomia e no meio de todo aquele entusiasmo da integração desta especialidade que escolhi, senti saudade de trabalhar em ambiente hospitalar, sobretudo de trabalhar num serviço de urgência. Muitas vezes, perante uma consulta aguda nos cuidados de saúde primários, sentia-a a impotência de não ter os exames complementares de diagnóstico à mão para conseguir fazer um diagnóstico imediato. Senti verdadeiramente saudade da observação do doente agudo em contexto hospitalar: acompanhar no imediato desde a entrada do doente, à interpretação dos meios complementares de diagnóstico realizados na própria hora, à resposta à terapêutica urgente e ao diagnóstico final. Invariavelmente questionei-me se a decisão de ser médica de família nos próximos, quem sabe, 40 anos da minha vida teria sido acertada. Eu estava bem, mas porque é que tinha saudades do hospital? Percebi que ainda gostava mais de MGF do que no dia da escolha da especialidade e que não seria capaz de trocar esta especialidade por outra. Então, decidi procurar o diretor da urgência do hospital mais próximo. Expliquei-lhe que, apesar de ainda não ter realizado o estágio de urgência, obrigatório no internato de MGF, sentia-me capaz de integrar naquele serviço de urgência . A resposta foi favorável e no segundo ano de internato integrei na equipa de urgência hospitalar.

Após dois anos continuo a fazer duas coisas que me completam como médica: a medicina geral e familiar e a medicina de urgência hospitalar. É perfeitamente possível conciliar duas coisas e, na verdade, a medicina de urgência ajudou também na minha formação como médica de família e vice-versa. Sinto-me agora mais completa, tenho as duas vertentes da medicina na minha vida profissional: a do tratamento racional e imediato e a do seguimento a longo prazo em toda a vertente holística do utente.

Serviço Nacional de Saúde – 40 Anos
Editorial | Jornal Médico
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Reler as origens do Serviço Nacional de Saúde ajuda a valorizar o presente e pode ser uma forma de aprender para investir no futuro com melhor fundamentação

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