Trabalho em Equipa
DATA
05/11/2019 12:07:27
AUTOR
Ana Machado Costa
ETIQUETAS


Trabalho em Equipa

A cada ano que passa, ao longo da minha vida e da minha formação, vou tendo cada vez mais noção da importância do trabalho em equipa. Seja ela familiar, social ou profissional.

Claro está que o que me leva a escrever este texto é o trabalho em equipa a nível profissional.

E, neste âmbito, tanto há que dizer…

Começamos por aprender este conceito, o de trabalho em equipa, desde bem cedo, com os trabalhos de grupo na escola, onde nos é incentivada a distribuição de tarefas para um resultado final conjunto. Parece uma atividade bastante banal, mas lá no fundo, é logo aí que nos é incutido, subtilmente, o respeito e a aceitação da diferença, da diversidade e da individualidade de cada um. E, tão importante como tudo isso, é nessa banalidade das coisas que aprendemos que cada um, na sua singularidade, pode contribuir de forma única e preciosa para um objetivo final bem mais valioso e completo.

Ao longo da vida, mudam-se as realidades, mas os conceitos vão-se mantendo.

Hoje, como interna do 4º ano de Medicina Geral e Familiar (MGF) numa Unidade de Saúde Familiar (USF) Modelo B, no Norte de Portugal, a minha noção da importância do trabalho em equipa tem, de facto, novas dimensões. Num local de trabalho como uma USF modelo B, no qual existem diversos grupos profissionais em atividade e no qual se serve uma comunidade tão vasta de utentes, é facilmente percetível o impacto que a qualidade do trabalho em equipa pode ter. E esse impacto é sentido a nível individual, ao nível do funcionamento da própria equipa e ao nível da qualidade dos serviços prestados à comunidade. 

A nível individual, praticamente todos nós já sentimos desgaste físico, emocional e mental que, muitas vezes, decorre do acumular de funções e da tentativa de resolução de problemas que, não poucas vezes, podiam ter sido resolvidos antes de chegarem até nós. Obviamente que, no início das nossas carreiras, existe uma vontade desmedida de estar sempre pronto e disponível para tudo, com aquele sentido de solidariedade e de garra que qualquer jovem trabalhador deve ter. E ainda bem que assim é!

Ao nível da equipa, é obvio que, quando existe uma correta distribuição de tarefas e uma clara perceção das competências de cada grupo profissional, associadas a uma boa capacidade de comunicação entre partes, o trabalho acontece com maior fluidez e com maior eficiência. Uma equipa organizada e bem liderada é mais facilmente uma equipa feliz, competente e eficiente, atingindo os seus objetivos de uma forma mais rápida e natural, minimizando o espaço à duplicação de tarefas, à falta de outras e à ocorrência de erros.

Por fim, e sendo o motivo pelo qual todos trabalhamos diariamente, o impacto ao nível da qualidade dos serviços prestados. Quando se aceita embarcar num projeto como aquele que são as USF’s, o lema de ordem é “servir com a mais alta qualidade possível”, tendo a constante e clara noção de que é sempre possível melhorar. Com um objetivo tão bem definido quanto este, o trabalho em equipa é, sem dúvida, a pedra basilar.

Só uma equipa coesa, focada e organizada consegue avançar rumo a uma finalidade tão nobre quanto esta, que é a de cuidar da saúde de uma comunidade, investindo todo o seu conhecimento e empenho na prevenção da doença e na educação para a saúde.

Por tudo isto, importa lembrar que, para além do investimento ao nível da formação individual, é importante que cada um procure melhorar a sua capacidade de trabalho em equipa porque só assim se obtém verdadeiros ganhos em saúde.

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