Qual o papel do Médico de Família na gestão de outcomes psicológicos no doente oncológico

A maioria das situações problemáticas apresenta-se numa fase inicial aos Cuidados de Saúde Primários.

Cabe ao Médico de Família fazer a avaliação inicial da situação clínica. O desempenho de um Médico de Família implica um amplo conjunto de competências, direcionadas à gestão de cuidados, à abordagem centrada na pessoa, à gestão de problemas múltiplos de diferente natureza, quer agudos quer crónicos, à promoção de saúde, à coordenação e integração de cuidados. Deve utilizar de forma eficiente os recursos de saúde através da coordenação de cuidados com outros profissionais e gerir a interface com outras especialidades.

Sendo a doença neoplásica tão relevante pela repercussão que tem na saúde e esperança de vida dos Portugueses, a abordagem em conjunto dos temas com ela relacionados pelos Oncologistas e Médicos de Família tem um impacto positivo na qualidade dos cuidados de prevenção, diagnóstico e terapêutica que prestamos em conjunto à população.

Quando se fala da influência de determinadas estratégias de coping e recuperação, tem-se apontado que um estilo proactivo está correlacionado com um período mais adequado de recuperação/tratamento e longevidade. O otimismo, definido como uma expectativa generalizada de que o que surgir futuramente será positivo, está associado com o uso de estratégias de coping adaptativas, ou focadas no problema (tais como procurar aconselhamento; decidir onde procurar cuidados), e ainda na promoção de um melhor bem-estar psicológico e físico.

Em doentes oncológicos sobre tratamento dirigido, a adaptação à doença parece ser bastante favorecida pelo apoio concomitante na sua rede de cuidados primários. A ansiedade e depressão são perturbações presentes que interferem no grau de sofrimento e angústia, comprometendo em muito a qualidade de vida e a capacidade de levar em diante o seu tratamento.

Intervenções psicossociais multidisciplinares podem também modular as vias relacionadas com o stress, ensinando as pessoas a lidar/adaptar as suas respostas a este. Tanto os profissionais de saúde como os doentes devem ser capazes de assumir o prognóstico que a doença comporta e os possíveis caminhos, colocando o enfoque nas preferências do próprio doente e sua qualidade de vida. Os doentes e os clínicos podem expandir o espectro clínico de modo a abranger, com igual importância, questões psicológicas e morais subjacentes, contribuindo, deste modo, para reduzir o sofrimento psíquico associado à doença e seu tratamento.

A evidência atualmente disponível demonstra a capacidade de muitas das diferentes intervenções psicossociais poder melhorar as respostas ao stress e adversidade da experiência do cancro no sentido de melhorar a adaptação psicológica. É essencial que os cuidados de saúde se tornem mais flexíveis e capazes de corresponder às necessidades individuais de cada doente. Intervenções psicológicas eficazes e precoces podem melhorar a saúde mental, e, potencialmente, os resultados biológicos. Se assim for, há a possibilidade de haver impacto na sobrevivência de doentes oncológicos.

O Novo Livro Azul tem um passado e um futuro a defender e a promover num novo ciclo
Editorial | Jornal Médico
O Novo Livro Azul tem um passado e um futuro a defender e a promover num novo ciclo

O Novo Livro Azul da APMGF é um desejo e uma necessidade. Volvidos 30 anos é fácil constatar que todos os princípios e valores defendidos no Livro Azul se mantêm incrivelmente atuais, apesar da pertinência do rejuvenescimento que a passagem dos anos aconselha. É necessário pensar, idealizar e projetar a visão sobre os novos centros de saúde, tendo em conta a realidade atual e as exigências e necessidades sentidas no futuro que é já hoje. Estamos a iniciar um novo ciclo!

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