Onde estão os dentistas?

A Saúde Oral continua a ser uma das grandes lacunas do Serviço Nacional de Saúde.

Estão previstos Médicos Dentistas nos Cuidados de Saúde Primários, medida essa que está muito aquém da necessidade da população. O projeto teve início em 2016 mas atualmente pouco mais de 100 Unidades de Saúde Familiar têm essa valência. Porque existe este défice? Não valerá a pena investir nesta área? Importa mencionar que a Saúde Oral tem um papel preponderante na saúde em geral e na qualidade de vida das pessoas, tornando-se indispensável para o bem-estar físico e psicológico.

Foquemo-nos na classe etária mais idosa. Quase todos os dias me deparo, durante a prática clínica e no dia-a-dia, com idosos com peças dentárias em mau estado ou ausência das mesmas. Qual o impacto disto na qualidade de vida do utente? Começando pela dificuldade na mastigação, os idosos vão evitar, por exemplo, a ingestão de carne ou alimentos mais duros, acarretando uma baixa ingestão proteica. Para além disso, a dificuldade em expressarem-se, através da fala, pode promover algum isolamento e sentimento de vergonha nesta classe dentária. Como posso ajudar? Disponibilizando um cheque-dentista que, sobretudo, abrange apenas intervenções preventivas ou extração dentária? Como vão conseguir uma prótese dentária, muitas das vezes bastante dispendiosa?

Fico revoltada com esta situação, especialmente quando falamos de uma classe etária muitas vezes carenciada economicamente. Os hospitais poderiam ser uma alternativa, mas a verdade é que também falham, pois não conseguem dar resposta a tantos pedidos.

Esta é uma luta diária, com a qual contacto diariamente, tendo uma ação na prevenção e manutenção da Saúde Oral do utente, ficando, por vezes, insatisfeita com a não possibilidade de poder ajudar mais.

O Novo Livro Azul tem um passado e um futuro a defender e a promover num novo ciclo
Editorial | Jornal Médico
O Novo Livro Azul tem um passado e um futuro a defender e a promover num novo ciclo

O Novo Livro Azul da APMGF é um desejo e uma necessidade. Volvidos 30 anos é fácil constatar que todos os princípios e valores defendidos no Livro Azul se mantêm incrivelmente atuais, apesar da pertinência do rejuvenescimento que a passagem dos anos aconselha. É necessário pensar, idealizar e projetar a visão sobre os novos centros de saúde, tendo em conta a realidade atual e as exigências e necessidades sentidas no futuro que é já hoje. Estamos a iniciar um novo ciclo!

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