Dr. Sherlock Holmes, médico de Família da década que se inicia
DATA
11/02/2020 10:21:36
AUTOR
João Ferreira Ribeiro
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Dr. Sherlock Holmes, médico de Família da década que se inicia

A comunicação verbal em consultas é frequentemente apontada como fundamental na prestação de cuidados médicos, sendo geralmente fácil de interpretar e analisar. Esta forma de comunicação, por vezes discreta, traduz objetivos claros, geralmente sob controlo voluntário, evidenciando mais os nossos pensamentos cognitivos do que as nossas emoções.

O grande desafio da comunicação em Medicina nos dias de hoje prende-se com a comunicação não-verbal, exigindo maior audácia interpretativa; é um elemento contínuo, mesmo em silêncio, podendo ocorrer em várias dimensões em simultâneo, operando a um nível menos consciente e libertando pistas espontâneas de forma ininterrupta. Desta forma, não é surpreendente que a comunicação não-verbal desempenhe um papel significativo ao longo da entrevista médica e seja uma variável importante no estudo das interações médico-doente. A comunicação não-verbal ajuda a construir relacionamentos e fornece pistas para o diagnóstico clínico, evidenciando emoções não verbalizadas pelo doente. Mais do que o malabarismo das palavras, a medicina atual pressupõe que vistamos a pele de "Sherlock Holmes" decifrando se linguagem não-verbal do ser humano que temos em nossa frente valida ou contradiz as palavras que verbaliza.

A comunicação não-verbal é mais significativa na entrevista médica quando contradiz a mensagem da comunicação verbal. Quando as duas componentes são inconsistentes ou contraditórias, as mensagens não-verbais tendem a substituir as verbais. Este facto explica por exemplo porque é que uma pergunta fechada, acompanhada de uma comunicação não-verbal eficaz, muitas vezes leva a uma resposta aberta, da mesma forma que um paciente não acredita necessariamente num comentário tranquilizador quando acompanhado por expressões faciais contraditórias ou hesitação vocal.

Assim sendo, como Médicos precisamos de conhecer e explorar os sinais não-verbais dos pacientes nos seus padrões de fala, expressões faciais e postura corporal. Mas precisamos de estar igualmente conscientes, acima de tudo, que o nosso próprio comportamento não-verbal, com o estabelecimento de contato visual, posição e postura corporal, movimento, expressão facial e uso da voz podem influenciar o sucesso da consulta. Como um dia disse Nelson Mandela "Se falares a um homem numa linguagem que ele compreenda, a tua mensagem entra na sua cabeça. Se lhe falares na sua própria linguagem, a tua mensagem entra-lhe diretamente no coração".

O Novo Livro Azul tem um passado e um futuro a defender e a promover num novo ciclo
Editorial | Jornal Médico
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O Novo Livro Azul da APMGF é um desejo e uma necessidade. Volvidos 30 anos é fácil constatar que todos os princípios e valores defendidos no Livro Azul se mantêm incrivelmente atuais, apesar da pertinência do rejuvenescimento que a passagem dos anos aconselha. É necessário pensar, idealizar e projetar a visão sobre os novos centros de saúde, tendo em conta a realidade atual e as exigências e necessidades sentidas no futuro que é já hoje. Estamos a iniciar um novo ciclo!

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