O Fear Of Missing Out e o seu efeito na saúde mental – O poder das redes sociais
DATA
24/02/2020 12:10:53
AUTOR
Inês Castelão Ferreira
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O Fear Of Missing Out e o seu efeito na saúde mental – O poder das redes sociais

Fear of missing out (FOMO) é uma expressão desconhecida para muitos, mas que se tem apoderado progressivamente do nosso tempo, dos nossos pensamentos e das nossas vidas.

O fear of missing out ou, em português, o “medo de perder alguma coisa” está relacionado com a necessidade constante que sentimos em consultar as redes sociais (RS) devido ao receio de estarmos a perder alguma informação importante. Este medo de sermos excluídos, por exemplo, de algum evento interessante ou de estarmos a perder oportunidades é uma forma de ansiedade social que nos motiva a estar permanentemente ligados às diversas RS para sabermos tudo o que se passa à nossa volta.

Claro que as próprias RS foram idealizadas para nos manter “colados” ao ecrã. Com as suas notificações, “gostos” e com o “bombardeamento” permanente de informações e fotografias relacionadas com os nossos interesses individuais, o tempo voa quando estamos ligados, por segundos, minutos e, às vezes, horas. Todo este tempo e energia gastos a sermos inundados com informação, que a maior parte das vezes não tem qualquer utilidade para nós e que nem sabemos se está correta, tem repercussões no nosso bem-estar e na nossa saúde mental.

Diversos estudos têm realçado, nos últimos anos, a existência de uma associação entre a utilização excessiva destas plataformas e do FOMO com a ansiedade e a depressão. De facto, pensamentos ruminantes, ansiedade social e o aumento de ideias de morte parecem ser apenas algumas das consequências negativas do uso abusivo das RS.

Acresce o facto de os principais utilizadores das RS e os que as utilizam durante mais tempo por dia serem os adolescentes. Este grupo etário, pela sua necessidade de aceitação pelos pares, pela sua impulsividade e falta de sentido crítico para o que é partilhado nas RS é, na verdade, o mais suscetível às consequências negativas destas plataformas. As RS mostram-nos a toda a hora um mundo perfeito que não existe, mas com o qual é difícil não nos compararmos e com o qual é impossível competir. Um adolescente, cuja identidade e autoestima estão ainda em construção, vai desta forma seguir como modelo uma imagem de perfeição, num mundo em que a popularidade é medida por “gostos” e está à vista de todos.

Este problema cria vários dilemas: onde traçar o limite entre o uso de RS aceitável e o uso excessivo?  A uso abusivo de RS é uma causa ou uma consequência de distúrbios de ansiedade ou depressivos pré-existentes? Proibir o uso das RS resolve ou agrava o problema?

Numa era em que o mundo tecnológico nos surpreende todos os dias, surgem novos problemas e desafios para os quais, como médicos de família, temos de estar alerta. Para além da dependência por jogos, dos efeitos negativos da luz azul dos tablets e telemóveis, novos dilemas surgirão e cabe-nos a nós acompanhar este processo e estar alerta para situações de possível dependência que possam prejudicar a saúde mental dos nossos utentes, em particular dos mais novos.

O Novo Livro Azul tem um passado e um futuro a defender e a promover num novo ciclo
Editorial | Jornal Médico
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O Novo Livro Azul da APMGF é um desejo e uma necessidade. Volvidos 30 anos é fácil constatar que todos os princípios e valores defendidos no Livro Azul se mantêm incrivelmente atuais, apesar da pertinência do rejuvenescimento que a passagem dos anos aconselha. É necessário pensar, idealizar e projetar a visão sobre os novos centros de saúde, tendo em conta a realidade atual e as exigências e necessidades sentidas no futuro que é já hoje. Estamos a iniciar um novo ciclo!

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