Vacine(-se)
DATA
24/04/2020 09:44:10
AUTOR
José Alves, Presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão
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Vacine(-se)

A evidência não é de hoje, mas tem-se acentuado nas últimas semanas: grupos de risco como pessoas a partir dos 65 anos e quem, independentemente da idade, sofre de doenças crónicas, devem ser protegidos.

Na Semana Europeia da Vacinação, relembro a importância da prevenção de doenças graves como a pneumonia. Potencialmente fatal, a pneumonia pode ser prevenida através de vacinação. Dados lançados, há dias, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a pneumonia mata uma média de 16 pessoas por dia. Em 2018, foi responsável por 43,4% das mortes devido a doenças do aparelho respiratório, o que corresponde a 5,1% do total de óbitos no nosso país. A maioria poderia ter sido evitada.
Tempos de fragilidade como os que vivemos sublinham a importância de evitarmos o que nos é possível. Ainda não temos vacina para o novo coronavírus, mas cabe-nos não descurar a prevenção de outras doenças.
Já existem vacinas que nos permitem crescer e envelhecer de forma saudável. Embora não tenham qualquer ligação à Covid-19, tornam-nos mais resistentes e menos vulneráveis a doenças que, pela atual sobrecarga dos serviços, dos profissionais de saúde e dos próprios equipamentos, serão ainda mais difíceis de tratar caso tenhamos a infelicidade de as contrair.
É o caso da pneumonia – uma doença grave, por si só. Entre os mais vulneráveis, encontramos os grupos de que falava: extremos das idades e adultos com doenças crónicas como diabetes, asma, doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), outras doenças respiratórias crónicas, doença cardíaca, doença hepática crónica, doentes oncológicos, portadores de VIH e doentes renais. A Norma de Orientação Clínica (NOC) lançada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) em 2015 é clara: recomenda a vacinação antipneumocócica a todos os adultos pertencentes aos grupos de risco. Façamo-la cumprir.
Investir na saúde destas pessoas é, também, investir na redução de internamentos e no número de mortes. Gastamos, por ano, cerca de 80 milhões de euros, só com internamentos por pneumonia. Sabendo nós que 1/5 da população portuguesa tem 65 anos ou mais, porque não investir na gratuitidade da vacina para esta faixa etária? Uma medida que iria beneficiar a qualidade de vida de dois milhões de pessoas e que teria um impacto significativo na redução dos custos associados à pneumonia para os portugueses – mais de 1,5 milhões de euros semanais, só em tratamentos.
Cabe-nos, enquanto profissionais de saúde, mudar mentalidades. Falar com a população e sensibilizá-la para a importância de prevenir, mais do que tratar. No âmbito da Semana Europeia da Vacinação, deixo o apelo: faça da vacinação uma prioridade, sempre e em todas as fases da sua vida. Para um crescimento e um envelhecimento saudável – o seu e o dos que o rodeiam. Vacine(-se).

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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