O panorama Nacional e o papel do interno de formação específica na pandemia Covid-19
DATA
08/05/2020 10:17:54
AUTOR
Nádia Silva, interna de formação específica de Cirurgia Geral no Hospital Curry Cabral
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O panorama Nacional e o papel do interno de formação específica na pandemia Covid-19

O interno de formação específica é um médico ao serviço da comunidade. No contexto da pandemia que vivemos cresce ainda mais esta necessidade, quer pelo apoio ao doente infetado, quer pelo apoio ao doente que necessita de outros cuidados de saúde.

Portugal, à semelhança de outros países da comunidade Europeia necessita de mobilizar todos os esforços no apoio e combate a esta doença.

Neste momento, impera o essencial e o urgente. Na maioria dos hospitais apenas têm sido realizadas cirurgias urgentes e/ou oncológicas. A consulta não presencial e o teletrabalho vigoram sempre que possível.

Acresce a tudo isto o aumento do número de casos Sars-Cov 2 com critérios de internamento, encontrando-se as especialidades de Infecciologia, Medicina Interna, Medicina Geral e Familiar e Saúde Pública sobrecarregadas pelo aumento sucessivo do número de casos.

Estas especialidades são o pilar e a força que coordena o diagnóstico e acompanhamento, em internamento ou ambulatório, dos doentes infetados e/ou suspeitos.

Neste sentido, o interno de formação específica, de outras especialidades, encontra por um lado, as limitações no tratamento dos seus doentes, e por outro lado, a responsabilidade de dar apoio à situação que atualmente todos estão a enfrentar.

Invariavelmente teremos que suspender a maioria das nossas atividades no âmbito de formação específica. Pretende-se com isto não só aumentar o apoio ao rastreio e aos cuidados na comunidade, mas futuramente, se necessário a colaboração com as atividades no internamento, na urgência e/ou na unidade de cuidados intensivos. Além disso, temos ainda que ter em conta o aumento do número de casos em profissionais de saúde.

Vivemos cenários trágicos. Além da pandemia nacional, os profissionais de saúde vêem-se obrigados a isolar-se da sua família e amigos, assiste-se à incapacidade de dar resposta adequada ao doente oncológico, à tristeza das famílias que não podem visitar os seus familiares internados, e ao receio de prestar cuidados tardios ao doente com patologia “não covid”.

Infelizmente, e apesar da situação atual, temos que garantir meios para continuar a tratar os nossos doentes. O País não pode estar numa “pausa”! Como poderemos resolver este problema? Os cuidados médicos têm que continuar a ser prestados nas diversas valências. Os doentes têm que continuar a ser referenciados para tratamento, sendo o teletrabalho uma forma para o fazer. O doente oncológico não pode esperar pelo fim desta pandemia para iniciar a sua estratégia de terapêutica multimodal, cirúrgica, por radiologia de intervenção e por quimioterapia sistémica.

Todos temos o nosso “papel”, juntos poderemos vencer esta pandemia sem descurar os doentes que necessitam de continuar a ser tratados. Neste momento, o foco tem sido dado à Covid-19, mas não podemos esquecer os doentes que irão morrer por acesso tardio aos cuidados de saúde.

Deixar cair com violência o que é desnecessário e aproveitar a oportunidade
Editorial | Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
Deixar cair com violência o que é desnecessário e aproveitar a oportunidade

Assaltar o desnecessário. Rasgar a burocracia. Rejeitar o desperdício. Anular a perda de tempo. As aprendizagens da pandemia serão uma ótima oportunidade para acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência e o estado de calamidade ensinaram-nos muito! É necessário desconfinar o centro de saúde e reinventar o conceito com unidades de saúde aprendentes e inovadoras.

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