Exercício físico: um “aliado de peso” na gravidez
DATA
22/05/2020 10:16:43
AUTOR
Cláudia Martins Novais, Interna de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar
ETIQUETAS




Exercício físico: um “aliado de peso” na gravidez

“Gravidez não é doença” – já diz o ditado popular. A gestação consiste num processo fisiológico caracterizado por um vasto conjunto de modificações físicas, hormonais e emocionais, que requer uma adaptação por parte da mulher e dos que a rodeiam.

Esta fase da vida deve ser encarada pelos profissionais como um momento-chave para promoção de saúde. Tendencialmente, gera-se uma consciente e crescente preocupação com a criança que se está a desenvolver, existindo uma motivação adicional para a modificação de estilos de vida, que pode compreender a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis, a cessação tabágica e até a prática de exercício físico.

Estar grávida não deve significar estar parada. O exercício físico reveste-se de especial importância durante a gravidez, desde que realizado de forma moderada, adaptado às diferentes fases da gestação e não existindo complicações que contraindiquem a sua prática, tais como: risco de parto pré-termo, hemorragia vaginal, rotura prematura de membranas, placenta prévia ou diminuição dos movimentos fetais.

Deve ser encorajado o início gradual da prática de exercício físico regular junto das mulheres sedentárias e a continuação da mesma nas grávidas previamente ativas, ainda que com moderação.

Recomenda-se a realização de atividades como caminhada, natação, hidroginástica, localizada, alongamentos, pilates ou yoga, aliando, desta forma, exercício aeróbio e de reforço muscular, não esquecendo a importância do fortalecimento do pavimento pélvico através dos exercícios de Kegel. A avaliação e supervisão periódicas são essenciais. Desportos radicais ou de contacto, com risco potencial de traumatismo abdominal, queda ou associados a stress exagerado, devem ser evitados, já que constituem perigo para o desenvolvimento fetal. A partir da 16ª semana de gestação, não devem ser realizados exercícios em posição supina, pelo risco de compressão da veia cava, podendo verificar-se redução do aporte sanguíneo fetal.

De acordo com a Direção-Geral da Saúde e o Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física, as grávidas devem, idealmente, cumprir pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana. Deve, de igual modo, ser promovida uma adequada hidratação e alimentação.

São inúmeros os benefícios associados a uma gravidez ativa: controlo de peso; melhoria da condição física (com impacto ao nível do tónus muscular, da força, da postura e da resistência) e da função cardiorrespiratória; prevenção de insuficiência venosa e edema; alívio de lombalgia; prevenção de incontinência urinária e obstipação; redução do risco de diabetes gestacional e pré-eclâmpsia; melhoria do padrão de sono; promoção de autoestima e bem-estar psicológico (contribuindo para a minimização de estados depressivos e ansiosos). As vantagens estendem-se, ainda, à prevenção de parto pré-termo, redução das complicações obstétricas e da necessidade de instrumentação durante o parto e diminuição da probabilidade de macrossomia fetal.

Nós, profissionais de saúde, devemos olhar a gravidez como uma oportunidade de ouro no que toca a intervenção, aconselhamento e educação para a saúde. É fundamental desmistificar os receios associados à prática de exercício físico durante a gravidez, esclarecendo que esta não constitui uma ameaça para a saúde do feto, salvo em casos excecionais devidamente identificados.

Os hábitos e comportamentos adotados pela mulher nesta fase devem também ser fomentados junto do agregado familiar, assim como a sua manutenção após o parto, o que, consequentemente, se refletirá na vida da criança que irá nascer. Desta forma, estamos a promover saúde e a prevenir doença, quer no presente quer nas gerações futuras!

Bibliografia

DGS: Programa Nacional para a Vigilância da Gravidez de Baixo Risco

DGS: Programa Nacional para a Promoção da Atividade Física

Gravidez e Exercício Físico. Acta Med Port 2007

GENEF – APMGF: Exercício Físico na Grávida

SNS 24: Guia para grávidas

Deixar cair com violência o que é desnecessário e aproveitar a oportunidade
Editorial | Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
Deixar cair com violência o que é desnecessário e aproveitar a oportunidade

Assaltar o desnecessário. Rasgar a burocracia. Rejeitar o desperdício. Anular a perda de tempo. As aprendizagens da pandemia serão uma ótima oportunidade para acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. O estado de emergência e o estado de calamidade ensinaram-nos muito! É necessário desconfinar o centro de saúde e reinventar o conceito com unidades de saúde aprendentes e inovadoras.

Mais lidas