De Olho no Rótulo – Apostar em Educação Nutricional
DATA
26/05/2020 10:32:19
AUTOR
Ana Ribeiro da Silva, Interna de Formação Específica de Medicina Geral e Familiar
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De Olho no Rótulo – Apostar em Educação Nutricional

Sendo cada vez maior a oferta de produtos alimentares, escolher os alimentos nutricionalmente mais equilibrados, sabendo quais privilegiar em detrimento de outros, nem sempre é fácil. Mas porquê informar e educar a fazer escolhas alimentares mais conscientes, saudáveis e seguras? Saberão os utentes compreender o que está escrito no rótulo do seu iogurte ou das suas bolachas favoritas?

As guidelines de referência do âmbito cardiovascular são perentórias, apontando a mudança de estilos de vida e a abordagem nutricional como os primeiros passos a dar para combater uma série de patologias e promover a saúde. Em boa verdade, o que causa e agrava estas doenças acaba por ser esquecido. Enquanto médicos focamo-nos e investimos muito na terapêutica, com grandes gastos inerentes e acabamos por falhar na mudança dos hábitos de vida. Mas porque estaremos a falhar? Estarão os Médicos de Família dotados para fazer aconselhamento nutricional? E o tempo de consulta permite fazê-lo adequadamente?

A formação médica neste âmbito é ainda incipiente, sendo provavelmente esta lacuna um dos fatores que contribuirá para que as questões nutricionais estejam, muitas vezes, ausentes da prática clínica diária nos Cuidados de Saúde Primários. A não ser que, por iniciativa própria, os médicos invistam em formação pós-graduada, a Nutrição é pouco explorada na formação médica de base, não integrando a sua componente curricular. Com uma agravante, continuam a ser raríssimas as USF que dispõem de nutricionista ou quando disponível, a procura ultrapassa largamente a oferta, ficando por isso aquém das necessidades.

No manejo da Hipertensão Arterial, por exemplo, é imperativo que o Médico de Família mais do que reiterar a necessidade de diminuir o consumo de sal, saiba explicar ao doente como ler os rótulos da composição nutricional dos alimentos que consome para perceber o respetivo teor de sal. Não obstante este é o tipo de informação que pode ser pertinente transmitir a todos os utentes, independentemente da sua condição clínica, fazendo-os acreditar que são imensas as razões para dedicar alguns minutos a analisar os rótulos dos produtos que consume. E o “descodificador de rótulos” da Direção-Geral da Saúde, é uma ótima ferramenta para auxiliar os médicos nesta missão.  Mas é igualmente importante que se lembre que os melhores alimentos são aqueles que não têm rótulo, porque simplesmente não precisam deles. Falamos de frutas, vegetais, peixe ou carne, por exemplo.

Por isso, é essencial a necessidade de integrar o aconselhamento nutricional nas consultas de Medicina Geral e Familiar, dotando os respetivos Médicos de Família de algumas noções elementares, ferramentas e conhecimento adequados em nutrição para que possam fazer a diferença.  São, muitas vezes, os primeiros e únicos interlocutores a quem os doentes recorrem para esclarecer dúvidas do foro nutricional. Olhar para o rótulo de um produto e interpretá-lo pode ser o passaporte para uma vida mais saudável.

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