O novo paradigma da Fibrilhação Auricular
DATA
15/06/2020 10:08:30
AUTOR
Catarina Martins de Macedo
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O novo paradigma da Fibrilhação Auricular
A Fibrilhação Auricular (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais comum a nível mundial, com uma prevalência estimada de 3% na população adulta com idade igual ou superior a 20 anos de idade. A sua incidência aumenta com a idade e sabe-se que um em cada dez portugueses com idade superior a 65 anos desenvolve esta arritmia. É responsável por cerca de 20-30% dos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) e constitui um fator de risco independente para a mortalidade de causa cardíaca.

Apesar de ser, muitas vezes, um fenómeno silencioso, pode traduzir-se em cansaço fácil, falta de ar, palpitações, pulsação rápida e irregular, tonturas ou desmaio e, em casos mais graves, pode resultar em eventos fatais. A familiarização com estes sinais e sintomas por parte da população é de sublime importância, de modo a permitir um diagnóstico precoce desta arritmia e concludentemente evitar um aumento da mortalidade cardiovascular, hospitalizações frequentes e redução da qualidade de vida.

Está recomendado que os utentes com idade superior a 65 anos façam o rastreio da FA através da autoavaliação do ritmo do pulso ou através da realização de um eletrocardiograma.

Um diagnóstico de FA, depois da avaliação do risco/benefício, pode resultar na prescrição de terapêutica anticoagulante, de modo a prevenir a ocorrência de um possível AVC.

Os Antagonistas da Vitamina K foram utilizados exclusivamente, neste contexto, durante muitos anos. O seu uso está associado a múltiplas interações medicamentosas e alimentares, bem como à necessidade frequente de monitorização com uma análise sanguínea e ajuste da dose. A sua monitorização é feita, habitualmente, a nível dos Cuidados Hospitalares ou a nível dos Cuidados de Saúde Primários.

De acordo com as recomendações da Sociedade Europeia de Cardiologia, os Novos Anticoagulantes Orais são considerados atualmente o tratamento de primeira linha, caso não haja nenhuma contraindicação. Estes últimos, igualmente eficazes, não necessitam de monitorização através da realização de uma análise sanguínea, permitindo uma maior comodidade ao utente direta e indiretamente, uma vez que frequentemente a ida aos Cuidados de Saúde exige o acompanhamento de um familiar e consequentemente, absentismo laboral.

À eficácia terapêutica, acresce a quase ausência de interações alimentares, melhor perfil de segurança, relação custo-eficácia e uma melhoria no padrão de qualidade de vida.

Uma vez prescrita, a adesão terapêutica é o pilar fundamental para a obtenção de ganhos em saúde, com redução da morbilidade e mortalidade da população.

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