Combater o Sedentarismo
DATA
17/07/2020 10:02:42
AUTOR
António Filipe Serrano e Vânia Correia Morais
ETIQUETAS




Combater o Sedentarismo

O comportamento sedentário é definido como qualquer comportamento realizado nas posições sentada, reclinada ou deitada, e que implique um baixo dispêndio energético, ou seja, inferior ou igual a 1.5 equivalentes metabólicos. O nível de atividade física de cada indivíduo depende da combinação de vários comportamentos, entre os quais se inclui a atividade realizada nos tempos de lazer, no dia a dia, nas deslocações e nas transições posturais.

Nesta medida, existe uma grande preocupação relativamente aos níveis de inatividade física da população, já que o sedentarismo caracteriza o estilo de vida da sociedade atual. Segundo a Direção-Geral de Saúde estima-se que cerca de 80% da população não pratica atividade física suficiente para cumprir as recomendações da Organização Mundial de Saúde, sendo Portugal um dos países da União Europeia com maior nível de inatividade física.

Face a estes factos, é cada vez mais importante que a promoção da prática de atividade física junto da população se torne uma prioridade, sendo fulcral a adoção de estratégias que visam reduzir os comportamentos sedentários, aumentando, consequentemente, os níveis de atividade física da população, contrariando a realidade atual.

A atividade física recomendada para adultos é de pelo menos 150 minutos por semana de intensidade moderada, o que permite que o indivíduo mantenha uma conversa, mas que não consiga cantar, o que se verifica, por exemplo, na prática de marcha rápida ou de hidroginástica ou, por outro lado, a realização de 75 minutos semanais de atividade física de intensidade vigorosa, ou seja, o que implica que o indivíduo não consiga conversar sem perder o fôlego, sendo a corrida e a natação, exemplificativos deste nível de intensidade ou, alternativamente, uma combinação equivalente de intensidade moderada e vigorosa. Adicionalmente, devem ser incluídas duas ou mais sessões semanais de atividades de fortalecimento muscular, com recurso a bandas elásticas ou ao peso do corpo, sendo que os indivíduos com mais de 65 anos de idade, beneficiam da realização de atividades que estimulem o equilíbrio três vezes por semana, como forma de prevenção de quedas.

No dia-a-dia, pequenas alterações das rotinas contribuem para aumentar o nível de atividade física, já que o número mínimo de passos recomendado por dia é de 7500, sendo considerado em comportamento sedentário o indivíduo que realize menos de 5000 passos por dia. Neste sentido, algumas estratégias podem ser implementadas, nomeadamente, o aumento de transições da posição sentada para a posição de pé, a realização de breves deslocações a cada hora, dando preferências às escadas em detrimento do elevador ou estacionar o carro a uma maior distância. Assim, é importante reforçar a ideia de que qualquer atividade é melhor do que nenhuma, sendo valorizável toda a iniciativa adotada que vise contrariar o sedentarismo.

A implantação com êxito das recomendações para a atividade física depende, em grande medida, da mudança na perceção da comunidade e da alteração do comportamento individual. É necessário que se continue a investir na literacia da população relativamente a esta temática, através de estratégias de comunicação e da promoção da atividade física nos vários contactos do utente com o SNS e, que se melhore a formação dos profissionais de saúde nesta área, aumentando não só a eficácia e a efetividade da sua intervenção, mas capacitando-os também a prescrever exercício físico de forma segura. O médico de família tem um papel fulcral neste processo, não só aconselhando como, quando e como fazer atividade/exercício físico, mas também adotando comportamentos básicos na promoção da saúde, assumindo-se ele próprio como um modelo na luta contra o sedentarismo.

”If exercise could be purchases in a pill it would be the single most widely prescribed and beneficial medicine in the nation”

Robert H. Butler

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