MGF pós-pandemia e a importância da inteligência emocional
DATA
11/08/2020 09:47:02
AUTOR
Jornal Médico
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MGF pós-pandemia e a importância da inteligência emocional
Como uma bomba que caiu no planeta, foi assim que a infeção pelo vírus SARS-CoV-2 rapidamente se alastrou à escala mundial e trouxe consigo várias consequências além da própria infeção.

Em termos de saúde, vários problemas se sucederam, começando pelo excesso de peso e sedentarismo, pois toda a mínima possibilidade de atividade física e motivação para uma dieta saudável caíram por terra quando as pessoas foram confinadas às suas casas.

Por outro lado, a meu ver, eclodiu a grande pandemia da sociedade moderna, a pandemia das doenças mentais, em particular a ansiedade e a depressão. Quando todo o planeta foi virado “de pernas para o ar” foram derrubadas as bases onde pessoas tinham construído toda a sua vida. Deste modo as pessoas foram forçadas a confrontar o medo e a sua capacidade de mudança e resiliência.

Já em 1948 a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que somos mais do que um corpo físico, de facto o conceito de saúde definiu-se como "um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade".1

A partir deste momento e mais do que nunca, surge a importância de treinar e adquirir inteligência emocional, é urgente aprender a lidar com as nossas emoções, frustrações e mudanças que ocorrem no mundo ou na nossa vida.

No início do ano 2020 o consumo de benzodiazepinas em Portugal disparou, o que leva a concluir perante as circunstâncias, a existência de um desespero em aliviar uma angústia que se tornou inconcebível de aguentar.

Na escola aprendemos sobre as mais diversas áreas, mas infelizmente ninguém nos ensina a lidar com o computador mais potente da humanidade, a nossa mente, onde diariamente circulam milhões de dados, que disparam circuitos neuronais automáticos, produzindo pensamentos e sentimentos, a maioria sem o nosso controlo consciente.

Com este artigo pretendo discutir algumas ideias sobre o que é a inteligência emocional e como nos podemos capacitar para que um novo caminho se abra, e quem sabe, possamos começar a pensar de maneira diferente.

Segundo vários autores da área da Psicologia, Psiquiatria e Neurociência, os nossos pensamentos originam sentimentos, que condicionam os nossos comportamentos e consequentemente determinam os resultados que obtemos, é um ciclo.

Diariamente absorvemos informação do mundo externo de uma forma constante através dos cinco sentidos. Através de um determinado estímulo/acontecimento, é disparado a nível cerebral um gatilho automático que origina uma emoção, que é uma reação fisiológica automática, por outro lado ao percecionarmos esta emoção imediatamente começam a surgir pensamentos na nossa mente. Através destes pensamentos originamos um determinado sentimento que automaticamente se apodera de nós, seja ele amor, bem-estar ou angústia e desespero, de acordo com a emoção sentida inicialmente. Este sentimento leva-nos a agir de uma determinada forma o que vai originar um resultado, seja ele positivo ou negativo. Este é um ciclo vicioso que acontece em todo o ser humano de uma forma inconsciente.

Aqui surge o conceito de inteligência emocional. A neurociência demonstra que a neuroplasticidade cerebral permite ao ser humano modificar estes circuitos através do treino e da experiência adquirida.

Assim, a inteligência emocional é definida como a capacidade de entender as emoções dos outros, compreender as próprias emoções e administrar sentimentos. Qualidades como empatia, controlo emocional, motivação e habilidade social também se incluem nesta definição.

Segundo o autor Napollean Hill, “um inimigo descoberto é um inimigo meio vencido”, isto é, se compreendermos como funciona a nossa mente podemos transformar um inimigo (mente) numa ferramenta a nosso favor.

O desenvolvimento da inteligência emocional permite capacitar-nos de ferramentas para utilizar a mente a nosso favor, ferramentas que nos permitem adquirir uma autonomia sobre a nossa mente e sobre a nossa vida.

A autorresponsabilidade e a capacitação da população são as bases para o tratamento da ansiedade e depressão que tanto tem atormentado a população nesta época de pandemia.

1 Organização Mundial da Saúde. Constituição da Organização Mundial da Saúde. Documentos básicos, suplemento da 45ª edição, outubro de 2006. Disponível em: https://www.who.int/governance/eb/who_constitution_sp.pdf.

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Editorial | Jornal Médico
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