O papel do médico de família em tempos de Covid-19
DATA
14/08/2020 09:12:34
AUTOR
Jornal Médico
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O papel do médico de família em tempos de Covid-19
A Covid-19 foi declarada pela Organização Mundial de Saúde como pandemia internacional, no dia 11 de março de 2020 e o medo, a ansiedade, a incerteza e o isolamento característicos desta fase são quatro ingredientes que, juntos, se podem transformar numa mistura explosiva.

Surgem dúvidas todos os dias sobre as medidas a tomar para impedir o contágio pelo novo vírus SARS-CoV-2 e cresce diariamente a incerteza sobre um futuro, que antes era visto como adquirido e promissor e que agora se resume a um tempo cinzento e de incerteza.

O médico de família (MF), que sempre teve um papel muito importante no seio familiar e com o qual os doentes sempre puderam contar, assume agora, nesta fase de Pandemia por Covid-19, um papel essencial.

Como pode o MF ajudar os seus doentes nesta fase tão difícil?

A nossa missão, enquanto clínicos, mas essencialmente como médicos de família, neste momento, passa por muito mais do que uma simples renovação de receituário crónico ou pela elaboração de um relatório médico, ou mesmo pela prorrogação de baixas médicas… O MF tem o privilégio do acompanhamento transversal da pessoa ao longo da sua vida, tantas vezes desde o seu nascimento até à sua morte. Porém, assume agora, como nunca antes presenciado, uma importância crucial a nível de suporte e apoio psicológico para o seu doente.

Os doentes que tenham um MF com quem possam contar, conseguem enfrentar a situação de “stress” e angústia diárias características desta fase, de uma forma muito mais simples, do que aqueles que não tenham esse “porto-seguro”.

Os médicos no geral, mas os MF em particular, têm em mãos uma responsabilidade enorme nesta altura tão difícil, no sentido de conseguirem ajudar os seus doentes tanto a nível clínico, como no esclarecimento de dúvidas, mas sobretudo a nível do seu estado anímico e da sua saúde mental.

Sou médica interna de Medicina Geral e Familiar (MGF), no último ano do internato. Confesso que vejo agora, mais do que nunca, que o conhecimento que o MF tem do seu doente é fundamental, tornando-se, numa fase de Pandemia como a que atravessamos, uma mais-valia, pois é o único que conhece a pessoa desde sempre, é o que a vai fazer sentir menos desamparada e menos sozinha, numa altura em que todos pedem distanciamento e isolamento social.

As consultas de vigilância presenciais dos centros de saúde foram adiadas, apenas as consultas de urgência, vacinação, saúde infantil e saúde materna, se têm mantido, mas o MF sempre esteve lá, sobretudo atrás de um telefone, a resolver tantos problemas de uma maneira incansável e tantas vezes com inúmeras dificuldades técnicas e burocráticas.

É sempre importante para qualquer pessoa, ter um MF em quem possa confiar e que saiba que está sempre presente, em qualquer situação, mas numa fase de Pandemia como a que estamos a viver, saber que está à distância de um telefonema ou e-mail, tem sem dúvida alguma, um peso diferente transmitindo muito mais confiança para ultrapassar os obstáculos do seu dia-a-dia e muito mais esperança num futuro melhor.

Como médica interna de MGF, tudo farei, como tenho feito até agora, para que nada falte aos nossos doentes nesta fase tão difícil, com o desiderato de que todos juntos iremos vencer!

Agradecimentos:

À minha orientadora de formação e aos colegas que me têm acompanhado nesta fase.

Referências bibliográficas:

 - Norma DGS nº001/2020 de 16/03/2020 – “COVID-19: Primeira fase de Mitigação – Medidas Transversais de Preparação”

- Norma DGS nº11/2020 de 18/04/2020 – “COVID-19: Fase de Mitigação – Saúde Mental”

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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