Teleconsulta é o futuro da Medicina?
DATA
02/09/2020 09:32:39
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Jornal Médico
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Teleconsulta é o futuro da Medicina?

A teleconsulta mudará a forma como exercemos Medicina? A curto prazo a teleconsulta tem-se demonstrado como o tipo de consulta mais utilizado para avaliar e tratar as patologias que não deixaram de existir com a pandemia de Covid-19, mas será uma ferramenta aliada, ou limita o ato médico na sua essência?

No início de 2020, a teleconsulta era considerada por muitos, uma possibilidade remota, e no espaço de semanas algo que era encarado como uma exceção, tornou-se a prática habitual de qualquer profissional de saúde. Apesar de serem já conhecidos alguns tipos de consulta que utilizavam este tipo de abordagem à consulta, como por exemplo em algumas consultas do viajante onde a avaliação objetiva não é fundamental num primeiro contacto, a sua utilização foi residual até muito recentemente. Bastaram algumas semanas para se tornar na única ferramenta válida e possível, para se poder continuar a exercer Medicina e conseguirmos responder às necessidades dos doentes, sem colocar doente e médico em risco, quer ao nível dos cuidados de saúde primários quer ao nível dos cuidados hospitalares.

Em termos históricos, este modelo de consulta questiona a essência do ato médico, cria desconforto nos profissionais que evoluíram com a certeza que a anamnese e o exame físico são fundamentais para o sucesso diagnóstico e terapêutico, bem como para a relação médico-doente. No entanto, dado o contexto de pandemia que a sociedade está a viver atualmente, o mundo digital tornou-se o maior aliado da Medicina, ao permitir aos profissionais de saúde adaptarem-se e ajustarem-se às necessidades diárias que não “cumprem” as indicações da Direção Geral de Saúde de isolamento social.

A maior acessibilidade, e consequentemente maior equidade na prestação de cuidados em saúde, é um dos principais fatores que reforça e fortalece o uso deste tipo de consulta. Ao eliminar a distância entre os cuidados de saúde primários e os utentes, e aumentar a comunicação sem descurar o acompanhamento médico idealmente, beneficia sobretudo os utentes que têm maiores dificuldades de acesso a entidades prestadoras de cuidados de saúde. No entanto não nos podemos esquecer que grande parte da população não domina as novas tecnologias, o que pode isolar ainda mais esta população.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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