Sou fumador – Há tratamento?
DATA
14/09/2020 09:27:39
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Jornal Médico
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Sou fumador – Há tratamento?
Resumo: A abordagem ao utente fumador nos cuidados de saúde primários (CSP) é um desafio, frequentemente descurado no contexto da consulta, que por si só já tem inúmeros itens a ser cumpridos. Mas, o médico pode sempre melhorar esta situação.

Ao longo dos anos o perfil do fumador tem-se alterado. Nos primeiros tempos era um sinal de posição social, posteriormente o seu uso foi banalizado, sobretudo entre os homens, as mulheres começaram a fumar mais tarde, e nos últimos tempos o que se verifica é que apesar das inúmeras campanhas e investimento em promoção e saúde e prevenção de doença, o número de fumadores se mantém estável.

Continua a ser um hábito mais frequente nos homens, mas o número de mulheres fumadoras está a aumentar. Como abordar esse problema ao nível dos CSP? A Saúde Pública aborda esta temática no contexto de promoção de saúde, ao desenvolver programas direcionados sobretudo aos jovens adolescentes, que é também o grupo etário onde habitualmente se inicia esse hábito, justificado pela pressão dos pares ou pela necessidade de inclusão. Na Medicina Geral e Familiar (MGF) essa abordagem é tendencialmente orientada para diminuir morbimortalidade. Em vários agrupamentos de centros de saúde (ACES) existe uma consulta de apoio intensivo para cessação tabágica, para onde são referenciados os fumadores motivados para o fazer num espaço de 30 dias. Nesta consulta, é avaliada a dependência através da escala de Fagerstrom e a motivação pela escala de Richmond e é frequente verificar-se níveis insuficientes para o conseguir, o que cria desafio aos profissionais de saúde, como conseguir que o utente entenda que o que dita o sucesso da intervenção não é um tratamento farmacológico, mas a sua motivação para o fazer. Esse é um trabalho que, não poucas vezes, necessita de maior acompanhamento do que as estruturas podem oferecer. E que pode e deve ser realizado em todos os contactos com as equipas de saúde.

Sensibilizar o utente para a realidade das consequências do consumo do tabaco, bem como consciencialização dos efeitos negativos nos que convivem com o fumador são fatores que predispões à motivação para a cessação. Apesar de estarmos a abordar uma dependência, é importante que o profissional de saúde tenha presente que o apoio e disponibilidade do médico de família para ajudar o utente neste processo, é frequentemente o único apoio de que o fumador precisa.

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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