Hipertensão: Um risco que exige adesão ao tratamento

A hipertensão é, por vezes, ignorada pelos doentes. Uma doença silenciosa, sem sintomas. A adesão à terapêutica, de forma persistente, sem paragens, é fator determinante para conduzir ao sucesso no tratamento.

O risco é real, persistente, mas a hipertensão é ainda muitas vezes ignorada pelos doentes, explica o professor Jorge Polónia, especialista e investigador na área das doenças cardiovasculares. A ausência de sintomas faz com que acreditem que está tudo bem, explica o especialista. Mas não está.

"A primeira questão é que muitas vezes os doentes não sabem que a hipertensão é, provavelmente, a causa de morte mais comum em todo o mundo, porque está perfeitamente ligada a todos os eventos cardiovasculares, nomeadamente o acidente vascular cerebral e o enfarte do miocárdio", lembra Jorge Polónia.

Uma redução e um controlo da pressão arterial pode levar a uma redução até aos 50% do risco de morte por eventos cardiovasculares. "Sabemos que, se tratarmos a hipertensão arterial conseguimos reduzir o risco, mas a maioria dos doentes vão ter de tomar medicação", sublinha o especialista.

Tomar a medicação tal como foi prescrito pelo médico, sem pausas. "Sabe-se hoje que 20 a 30% dos doentes a quem foi prescrita medicação anti-hipertensora nem sequer iniciam a medicação. Se os doentes não tomarem a medicação não vão ter os benefícios".

Se o número de doentes que não chegam a iniciar a terapêutica recomendada é grande, maior ainda é o registo de quem começa e deixa de cumprir a medicação. "Cerca de 40% dos doentes tratados com doenças como a hipertensão arterial, ao fim de um ano já abandonaram a terapêutica", lembra Jorge Polónia.

"Os doentes não dão importância porque a doença é assintomática. E é isso que faz com quem os não tomem", lembra o especialista.

No caso da interrupção, os efeitos da doença podem ser ainda mais graves. "Doentes que estejam a fazer a medicação e interrompam vão ter um aumento do risco que, por vezes, é superior ao dos doentes que não fazem a medicação", explica o professor Jorge Polónia.

Cumprir a medicação é por isso essencial. Para quem não foi diagnosticada a doença, há que não esperar por uma manifestação. Os números da hipertensão na sociedade comprovam a necessidade de controlar os níveis de tensão arterial de forma frequente como passo essencial para evitar a doença.

Pode consultar o episódio do programa “Pela sua saúde Cardiovascular” aqui.

vvvv

Texto cedido por TSF

O novo normal e a nova realidade – que alterações provocadas pela pandemia vieram para ficar?
Editorial | Jornal Médico
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Acertar procedimentos e aperfeiçoar métodos de trabalho. Encontrar uma nova visão e adotar uma nova estratégia útil na nossa prática clínica quotidiana. Valorizar as unidades de saúde por estarem a dar as respostas adequadas e seguras é o mínimo que se exige, mas é urgente e inevitável um plano de investimento nos centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde.

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