Gota: O impacto de viver com uma doença reumática
DATA
18/11/2020 11:08:00
AUTOR
Elsa Frazão Mateus
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Gota: O impacto de viver com uma doença reumática

A Gota é uma doença reumática inflamatória caracterizada pelo excesso de ácido úrico no sangue, em particular quando os níveis se encontram acima de 6 mg/dL (hiperuricemia), acumulando-se nas articulações sob a forma de cristais de monourato de sódio.

Sabe-se ainda que, na maioria dos casos, começa por atingir o primeiro dedo do pé, passando depois para outras zonas dos membros inferiores e também dos superiores, com a primeira crise a surgir entre os 40 e os 60 anos, predominantemente nos homens. Com as crises inflamatórias, surgem ataques súbitos de dor, inchaço (edema), vermelhidão e sensibilidade nessas articulações.

Na população portuguesa, onde a prevalência de doenças reumáticas é de 56% (EpiReumaPt), estima-se que cerca de 1.3% viva com esta doença, que estará entre as principais causas de perda de autonomia e de incapacidade física prolongada, levando ao absentismo no trabalho e a reformas antecipadas. Porém, é possível atenuar o enorme impacto provocado pela Gota através de um diagnóstico, cuidados e tratamentos atempados que permitam um melhor controlo da doença.

A Liga Portuguesa Contra as Doenças Reumáticas tem tido, desde a sua fundação em 1982, um papel fundamental no apoio às pessoas com doença reumática, divulgando informações sobre a natureza, tratamento, prevenção e repercussões sociais destas patologias, entre as quais, a Gota. Neste contexto, desenvolvemos ações em torno de seis eixos principais: apoio, educação, sensibilização, advocacia, cooperação e investigação.

Através da nossa colaboração no estudo recente “Understanding the patient voice in gout”, que procurar aferir o impacto da Gota nos pacientes europeus, sabemos que estas pessoas podem sentir-se frequentemente estigmatizadas e culpadas em relação ao seu estilo de vida. Os dados recolhidos por intermédio de um questionário pertencente ao mesmo estudo e aplicado em Portugal, revelam que a maioria dos inquiridos sente dificuldades em caminhar, sendo também significativas as percentagens referentes a alterações de estado de humor, saúde mental e de dificuldades nos relacionamentos conjugais, além das repercussões na vida laboral com perda de emprego ou reforma antecipada devido à Gota. Acresce que a média anual de crises reportadas pelos inquiridos, com dor moderada ou severa, apesar de ser uma doença controlável, indicava claramente a necessidade promover uma melhor gestão da Gota. Outro aspeto destacado nesse estudo foram as consideráveis percentagens de doentes que, após o diagnóstico, não tinham um acompanhamento médico regular em relação à Gota e que nem sempre reportavam todas as crises ao seu médico.

É, por isso, muito importante sensibilizar tanto a sociedade para o impacto desta doença na vida das pessoas, como os doentes para as consequências bastante sérias que a Gota pode ter, caso não seja bem controlada. Importa, igualmente, alertar os médicos e profissionais de saúde para a necessidade de promover a capacitação das pessoas afetadas para uma melhor monitorização do seu estado de saúde, através da adequada compreensão desta doença, terapêuticas associadas e comportamentos a adotar.

Considerando fundamental contribuir para uma melhor gestão da doença e promoção da saúde, é com satisfação que a Liga integra a nova campanha de sensibilização intitulada “Passo a passo, aprenda a viver com Gota” que entendemos ser uma excelente ferramenta de apoio, correspondendo às necessidades mencionadas.

Lançada através do site agotanaonospara.pt, onde existe informação direcionada tanto para doentes, como para profissionais de saúde, a campanha resulta de uma parceria entre a Liga, a Associação Portuguesa de Nutrição e a Ordem dos Farmacêuticos, contando com o apoio da A. Menarini Portugal.

A mudança necessária
Editorial | Jornal Médico
A mudança necessária

Os últimos meses foram vividos por todos nós num contexto absolutamente anormal e inusitado.

Atravessamos tempos difíceis, onde a nossa resistência é colocada à prova em cada dia, realidade que é ainda mais vincada no caso dos médicos e restantes profissionais de saúde. Neste âmbito, os médicos de família merecem certamente uma palavra de especial apreço e reconhecimento, dado o papel absolutamente preponderante que têm vindo a desempenhar no combate à pandemia Covid-19: a esmagadora maioria dos doentes e casos suspeitos está connosco e é seguida por nós.

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