Síndrome da apneia do sono: “Com muita frequência, os doentes não valorizam os sintomas”
DATA
24/05/2021 16:21:22
AUTOR
Dyna Torrado
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Síndrome da apneia do sono: “Com muita frequência, os doentes não valorizam os sintomas”

A síndrome da apneia do sono é uma doença que se caracteriza pela interrupção intermitente da respiração durante o sono, devido ao colapso da via respiratória. Com muita frequência, os doentes não valorizam os sintomas, pelo que, deve ser o médico de família quem deve estar atento aos mesmos.

Sintomas como a sonolência diurna, facilmente são desvalorizados, por existir uma adaptação progressiva do doente à situação, ao invés de aqueles que preocupam mais, como as apneias ou os acordares noturnos com sensação de sufocar. Por vezes, são os parceiros que se queixam do ressonar intenso. É frequente que os doentes sintam cansaço e dor de cabeça ao acordar de manhã, secura da boca, irritabilidade, dificuldade para se concentrarem, perda de memória, perda do desejo sexual e até depressão. 

Além da diminuição da qualidade de vida que produzem os sintomas, a importância da apneia do sono fundamenta-se no aumento do risco de hipertensão, AVC, enfarte, arritmias e diabetes. Também o risco de sofrer acidentes de viação multiplica-se por 6, devido à sonolência.

Apesar de ser ainda uma patologia subdiagnosticada, estudos recentes indicam que tem uma prevalência muito elevada. O estudo Hypnolaus (Lancet 2015) alertou para prevalências de mais de 23% nas mulheres e 49% nos homens. 

O aumento de doentes referenciados às Unidades de Sono, nos últimos anos, provocou o alargamento insustentável das listas de espera. Esta situação propiciou a decisão da tutela de dar alta das consultas hospitalares aos doentes estabilizados para manter o seguimento nos Cuidados de Saúde Primários, como qualquer outra doença crónica. 

Desde o ano 2016, cabe ao médico de família não só a suspeita do diagnóstico, como também o seu seguimento após a confirmação da doença na consulta especializada, verificando se o doente está a fazer um uso correto do CPAP e se o tratamento está a ser eficaz, assim como corrigir possíveis efeitos adversos que possam aparecer ou detetar situações que requeiram de nova avaliação pelo especialista do sono. 

Portugal pode orgulhar-se de estar à frente da Europa no desenvolvimento de guias de atuação clínica para o seguimento da apneia do sono com um circuito desenhado para a articulação entre os diferentes níveis de cuidados, que envolve as empresas de prestação de cuidados respiratórios domiciliários e os utentes, garantindo a vigilância do doente e a possibilidade de voltar a reencaminhá-lo à Unidade do Sono de forma célere, em caso de necessidade.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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