Sono, obesidade e risco cardiovascular e a alimentação
DATA
24/05/2021 16:24:02
AUTOR
Elsa Madureira
ETIQUETAS


Sono, obesidade e risco cardiovascular e a alimentação
O sono contribui para a saúde em geral e recomenda-se que um adulto durma entre 7 a 9 horas. Hoje em dia, a quantidade e a qualidade do sono estão frequentemente comprometidas pela exposição à luz e aparelhos eletrónicos, tabaco, cafeína, entre outros hábitos desreguladores.

Se a correção destes fatores não levar a um aumento da qualidade do sono, estamos perante um distúrbio do sono. Foram definidas seis categorias, como por exemplo insónia, os relacionados com a respiração ou com o ciclo circadiano, etc.

Está já perfeitamente estabelecida a relação entre a curta duração ou a pior qualidade do sono e o risco aumentado de obesidade, resistência à insulina, diabetes tipo 2 e a síndrome metabólica.

Estes distúrbios do sono são, por isso, considerados novos fatores de risco cardiovascular.

Poderemos dizer que existe uma relação bidirecional entre a dieta e o sono, atuando concertadamente no aumento do risco de doenças cardiovasculares.

Por um lado, sabe-se que a restrição do sono (menor tempo, menor qualidade, turnos, entre outros) levam ao aumento da fome, do apetite e da ingestão alimentar durante o tempo de vigília. Há, geralmente, um aumento do consumo de alimentos mais energéticos, ricos em gordura e açúcares, e mesmo de bebidas alcoólicas.

Este comportamento relaciona-se com alterações das hormonas leptina e grelina, reguladoras do apetite.

O aumento da ingestão energética conduz à obesidade. E esta, em particular a adiposidade visceral, contribui para o desenvolvimento dos distúrbios do sono, nomeadamente a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, que levam ao exacerbamento das alterações metabólicas glicídica e lipídica, amplificando o processo inflamatório que conduz à aterosclerose, que caracterizam a síndrome metabólica.

Os mecanismos aterogénicos parecem ser a explicação para a elevada ocorrência de eventos cardiovasculares nos doentes com distúrbios do sono.

Por outro lado, o padrão alimentar tem influência na qualidade do sono. Dietas consideradas mais saudáveis, como a Mediterrânica ou outras dietas baseadas em plantas, parecem contribuir para a melhoria da qualidade do sono, em oposição a dietas mais ocidentalizadas, ricas em gorduras e açúcares refinados.

A adoção de uma alimentação saudável, ou seja, com uma ingestão elevada de vegetais e frutas, cereais pouco refinados, com gordura monoinsaturada e moderada em carne/peixe tem um papel fundamental, quer na regulação do sono, quer no controlo do peso e, consequentemente, na diminuição do risco das doenças cardiovasculares.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

Mais lidas