MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
DATA
14/06/2021 10:55:20
AUTOR
Gil Correia
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MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

A Telemedicina, nas suas várias vertentes é, sem dúvida, um novo normal que veio para ficar. Aqui, creio que a realidade antecipou o futuro em alguns anos. O movimento digital invadiu a vida de todos nos últimos anos. As relações constroem-se cada vez mais à distância e através de um ecrã. Sendo a MGF uma especialidade de Relação há que saber aproveitar as inúmeras vantagens destas tecnologias. Historicamente, o Médico sempre visitou os seus pacientes nas suas casas. O movimento no sentido da criação de consultórios é na verdade uma forma de aumentar a acessibilidade por permitir uma melhor utilização do tempo médico e a observação de um maior número de pessoas. Na verdade, se soubermos aproveitar as potencialidades da Telemedicina aumentamos a proximidade e comodidade aos nossos utentes. Proporcionaremos acessibilidade à consulta com menores impactos na vida do utente. Por outro lado, reduzimos tempo de espera em sala e o circuito do utente na Unidade. Os riscos são, naturalmente, a dificuldade no estabelecimento da Relação, observação do utente, questões técnicas, entre outros. Possivelmente, no meio estará a virtude: um sistema combinado de observação presencial e por Telemedicina será o que melhor serve todos. Saibamos aproveitar o desenvolvimento da tecnologia.

Das atividades que suportam a prestação de cuidados de saúde, o Sistema de Informação será um dos mais importantes. Mas também, uma área que terá de sofrer uma melhoria considerável nos próximos anos. Claramente, o modelo de construir uma nova aplicação informática para cada necessidade é um modelo falhado. O Sistema Informático deve servir o Médico. Nunca o seu contrário. A ditadura dos programas informáticos conduz à mecanização da consulta em cliques e registos. É fundamental um ambiente de registo amigável: A informação essencial deve estar acessível no ecrã principal; a interligação entre diversas ferramentas tem ser estabelecida, sem necessidade de repetir informação (ou autenticação!); a plataforma deverá permitir a produção de relatórios automatizado com níveis de informação padronizados e definidos pelo utilizador; a utilização de reconhecimento palavras ou escrita inteligente podem contribuir. E tantas outras funcionalidades. Medidas simples para tornar mais eficiente a prestação de cuidados e retirar um enorme entrave à comunicação com o nosso consulente.

Há que focar no essencial e permitir que o que é de suporte seja um meio para o fim que é a Consulta. Temos de focar a nossa atividade na saúde e a doença.  E libertar, desta relação que criamos e que pretendemos impenetrável, questões laterais que tantas vezes a perturbam. É essencial resgatar a consulta médica de Medicina Geral e Familiar de um conjunto de burocracias e circuitos redundantes de documentação para os mais diversos fins. A relação com a Segurança Social deve ser facilitada e os Cuidados de Saúde Primários libertos de tarefas que não lhes sejam exclusivas. Há que simplificar um conjunto de burocracias necessárias para os mais diversos fins nas diferentes entidades da esfera pública e regulamentar a relação com seguradoras e outras entidades privadas, especialmente no que diz respeito à transição da informação em saúde.

Há que retornar ao Escutar e à essência da Consulta. Que possamos ser Medicina Geral e Familiar.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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