A Telemedicina em contexto de pandemia

A telemedicina é um serviço inovador no atual contexto da pandemia e um passo em frente no setor da saúde, ao permitir apoiar os doentes com uma maior proximidade. Se havia dúvidas quanto ao funcionamento e à capacidade de resposta da telemedicina, estas têm vindo a dissipar-se ao longo do último ano e meio. A pandemia deu um impulso adicional à telemedicina e permitiu compreender que esta é uma ferramenta funcional e capaz de complementar ou até de substituir, de forma adequada e dentro das limitações que conhecemos, consultas e outros atos presenciais, aliviando a pressão nos hospitais e nos centros de saúde.

Durante esta fase de pandemia, este serviço assumiu um papel crucial na prestação de cuidados médicos à população (adulta e em idade pediátrica), sendo a principal vantagem a flexibilidade e facilidade de acesso a consultas médicas, sem necessidade de se deslocar a uma unidade de saúde, minimizando o risco de contágio de infeção pelo novo coronavírus. Através de uma teleconsulta, seja por voz ou vídeo, em poucos minutos é possível um médico avaliar situações de doença aguda, mas também permite manter o acompanhamento médico dos doentes crónicos, de forma continuada, seja por rotina ou devido a agravamento da doença. Por outro lado, a disponibilidade de videochamadas é uma mais-valia, dado que permitem fazer uma avaliação mais global do estado geral do doente e realizar parte do exame objetivo como, por exemplo, a observação da pele e das mucosas, permitindo fazer o diagnóstico de patologias que antes não era possível realizar à distância. Desta forma, a telemedicina permite realizar aconselhamento e triagem médica, encaminhando para avaliação presencial apenas os doentes que realmente necessitam e reduzindo a carga nos serviços de saúde a nível dos cuidados de saúde primários e a nível dos hospitais.

Existem várias situações em que os doentes podem recorrer à telemedicina, nomeadamente em situações de doença aguda, que podem ser rapidamente resolvidas, como por exemplo infeções respiratórias agudas (ex. amigdalites agudas, bronquites, sinusites), infeções do trato urinário, patologia do foro dermatológico, entre muitas outras. Por outro lado, também podem recorrer a este serviço os doentes que necessitem do acompanhamento de rotina, da realização dos rastreios adequados ao seu grupo etário, género ou situação clínica. Por último, os doentes crónicos que necessitem de realizar pedidos de exames complementares de diagnóstico de rotina ou de medicação crónica.

Durante este período pandémico, o Médico Online teve um papel fundamental no acompanhamento de doentes, uma vez que houve períodos de grande congestionamento nos serviços de saúde, e em que havia dificuldade no acesso a consultas médicas e no acompanhamento presencial. Este serviço conseguiu colmatar algumas destas falhas e tornar a saúde acessível a todos. O Médico Online é, assim, uma solução para solicitar aconselhamento médico, sendo realizada uma triagem médica que permite orientar o doente da forma mais adequada à sua situação: medicar e permanecer no domicílio; encaminhar para consulta presencial (no domicílio ou numa unidade de saúde, de forma urgente ou programada, e na especialidade devida); serviço de atendimento urgente nos cuidados de saúde primários;serviço de urgência de um hospital ou ligar para o 112 (se se tratar de uma emergência médica). Em situações de emergência e em situações graves, os doentes devem deslocar-se diretamente a um serviço de urgência ou pedir ajuda através do 112, nomeadamente perante uma suspeita de AVC, de enfarte agudo do miocárdio, hemorragia aguda, traumatismo ou na presença de queixas respiratórias graves.

Convém igualmente ressalvar que a telemedicina tem algumas limitações, tal como o facto de por vezes não haver acesso ao histórico clínico do doente, pelo que é recomendável que os doentes tenham sempre consigo os relatórios médicos que documentam a sua situação clínica, para um atendimento médico mais célere e adequado às suas necessidades.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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