STOP à Esclerose Múltipla

A World Federation of Neurology celebra todos os anos o Dia Mundial do Cérebro (22 julho), elegendo em cada ano um tópico para divulgação e discussão pública. Este ano, o tópico selecionado foi a Esclerose Múltipla (EM), sob o lema: ‘STOP Multiple Sclerosis’.

A EM afeta cerca de 2.8 milhões de pessoas em todo o Mundo (cerca de 8.000 em Portugal), atingindo predominantemente adultos jovens. O pico de incidência acontece pelos 30 anos, o que quer dizer que o diagnóstico tem um impacto enorme em termos pessoais, familiares e profissionais.

Embora nos últimos anos se tenham registado avanços notáveis quer no diagnóstico, quer no tratamento, continuam a existir a nível mundial grandes disparidades na prestação de cuidados às pessoas com EM. Os dados do ‘Atlas of MS’ da Multiple Sclerosis International Federation, (3ª ed.) revelam que 2/3 das pessoas com EM vivem em países que não têm recomendações a nível nacional para o diagnóstico e monitorização da doença e, em muitos casos, o custo elevado dos fármacos imunomoduladores determina grandes constrangimentos no acesso ao tratamento. Neste contexto, a WFN lançou para este dia um conjunto de alertas destinadas a autoridades e profissionais de saúde, que visam dar a conhecer o problema e, em última análise, a melhorar a qualidade de vida das pessoas com EM.

De forma sucinta, a mensagem centra-se nos pontos seguintes:

  • A EM pode afetar todos os aspetos da vida pessoal, com manifestações que podem incluir desde a perda de funções cognitivas até uma marcada incapacidade física.
  • Devemos ter profissionais de saúde competentes para reconhecer os sinais e sintomas de EM de forma a que a doença possa ser diagnosticada e tratada precocemente.
  • É fundamental garantir o acesso aos fármacos disponíveis. Atualmente dispomos de uma grande variedade de opções terapêuticas e está bem demonstrado que o uso dos fármacos adequados permite reduzir a ocorrência dos surtos que caracterizam a doença e reduzem substancialmente o risco de progressão da incapacidade.

Em Portugal, o panorama da EM é, de um modo geral, animador. São seguidos os princípios praticados na Europa ocidental, temos consultas cada vez mais especializadas e dispomos de todos os fármacos modificadores da doença. Ainda assim, importa dar conta de algumas dificuldades. Apesar da pequena dimensão do país, o acesso a consulta especializada em EM não é ainda universal, continuam a existir dificuldades no reconhecimento da doença nas fases iniciais e as práticas em termos se seguimento e perfis de prescrição não são uniformes. Na consulta hospitalar persistem dificuldades no acesso à Ressonância Magnética (essencial para o diagnóstico e seguimento da doença) e escasseiam os recursos humanos (secretariado, enfermeiros, terapeutas, médicos especialistas) para garantir o melhor acompanhamento, de uma forma atempada. Por último, e este é talvez o aspeto mais crítico, continuam a existir enormes carências no que respeita ao apoio social a doentes e cuidadores.

Com o empenho de Sociedades científicas (ex. Grupo de Estudos para a Esclerose Múltipla), Associações de doentes e outras instituições, têm vindo a ser propostas medidas que permitam mitigar iniquidades (ex. desenvolvimento de um Registo Nacional de doentes; criação de Centros de referência). O alerta lançado neste dia Mundial do Cérebro concorre para este objetivo. Temos a confiança de o conseguir a breve prazo, assim as Autoridades de Saúde nos ajudem.

MGF 2020-30: Desafios e oportunidades
Editorial | Gil Correia
MGF 2020-30: Desafios e oportunidades

Em março de 2020 vivemos a ilusão de que algumas semanas de confinamento nos libertariam para um futuro sem Covid-19. No resto do ano acreditámos que em 2021 a realidade voltaria. Mas, por definição, a crise é uma mudança de paradigma. O normal mudou. Importa que a Medicina Geral e Familiar se adapte e aproveite as oportunidades criadas. A Telemedicina, a desburocratização e um ambiente de informação, amigável flexível e unificado são áreas que me parecem fulcrais na projeção da MGF no futuro.

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