Os psicólogos dos Cuidados de Saúde Primários- onde está o Wally?
DATA
31/08/2021 11:24:34
AUTOR
Ana Esperança
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Os psicólogos dos Cuidados de Saúde Primários- onde está o Wally?

A saúde é uma dimensão que resulta de uma interação complexa entre fatores culturais, sociais, psicológicos, físicos, biológicos e espirituais.

Os médicos de família têm a capacidade de abordar holisticamente o utente, acompanhando-o nas suas diferentes fases da vida, adquirindo um nível de proximidade indiscutível. Será que o médico de família trabalha sozinho? Pelo contrário, ele insere-se numa equipa de cuidados de saúde, trabalhando de forma multidisciplinar.

E os psicólogos, podem fazer parte desta equipa? Eles não podem, eles devem!

Quantos dos nossos utentes pedem ajuda psicológica, ou quantos deles achamos que dela beneficiariam? Muitos recorrem a nós em contextos de crises pessoais, dificuldades de adaptação a uma circunstância de vida, problemas familiares, doença física, acidentes ou doenças de evolução crónica e/ou incapacitante, que podem ter importantes repercussões psicológicas.

Sem dúvida que o médico de família terá sempre um papel de proximidade, de ouvinte, no entanto, não substitui o psicólogo. Desta forma, o grande desafio é colocarmos a psicologia da saúde ao serviço destes utentes, no contexto dos Cuidados de Saúde Primários, onde este recurso é escasso e praticamente inexistente. É mesmo caso para perguntar "Onde está o psicólogo Wally?

Em muitos países, os psicólogos contribuem significativamente para a promoção da saúde, para programas de prevenção, para a humanização dos serviços de saúde e para a promoção da qualidade dos cuidados prestados. É inegável o potencial da intervenção psicológica neste âmbito, sendo por isso, um dos pilares da abordagem nos Cuidados de Saúde Primários.

No entanto, não se fazem omeletes sem ovos! A reformulação da intervenção dos psicólogos no contexto dos Cuidados de Saúde Primários exige abertura e motivação por parte dos médicos e dos psicólogos, bem como do Ministério da Saúde e das Administrações Regionais de Saúde.

Sempre ouvi dizer que com uma vontade forte, fazem-se grandes coisas! Esta melhoria da qualidade dos cuidados de saúde primários não é impossível!

Acredito que a esperança é a última a morrer!

Se os jovens Médicos de Família querem permanecer no SNS e se o SNS precisa deles, o que falta?
Editorial | António Luz Pereira
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Nestes últimos dias tem sido notícia o número de vagas que ficaram por preencher, o número de jovens Médicos de Família que não escolheram vaga e o número de utentes que vão permanecer sem médico de família. Há três grandes razões para isto acontecer e que carecem de correção urgente para conseguir cativar os jovens Médicos de Família.

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