A computação em cloud acelerou a resposta à COVID-19 na área de saúde – desde as vacinas ao atendimento dos pacientes
DATA
10/09/2021 09:33:31
AUTOR
Pilar Torres
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A computação em cloud acelerou a resposta à COVID-19 na área de saúde – desde as vacinas ao atendimento dos pacientes

A Organização Mundial da Saúde (OMS) registou perto de 200 milhões de casos de COVID-19 e pelo menos 4,2 milhões de mortes até agora. Surpreendentemente, a OMS também relata que cerca de 3,8 mil milhões de doses de vacina já foram administradas. E, felizmente, esse número aumenta todos os dias.

Serviços de saúde, médicos, empresas farmacêuticas, investigadores, prestadores de cuidados na linha de frente e voluntários têm trabalhado de braços dados para ajudar o mundo a superar esta crise. Têm sido apoiados por uma série de tecnologias inovadoras, que aceleraram rapidamente a capacidade do setor da saúde em responder à COVID-19, apoiaram os indivíduos em circunstâncias desafiadoras e multiplicaram os tratamentos disponíveis.

Em todo o mundo, organizações de saúde, incluindo a OMS, o Imperial College London, a Genomics England, a Moderna e a Unidade de Saúde Familiar (USF) Cova da Piedade, tiveram a ajuda da tecnologia em cloud da AWS. A computação em cloud apoia essas organizações, fornecendo a tecnologia necessária para medir a disseminação do COVID-19, ajudar na testagem de pacientes, monitorizar o seu impacto, descodificar as respostas do sistema imunológico, desenvolver terapêuticas, distribuir e gerir os lançamentos de vacinas e para muitas outras funções críticas.

Esses benefícios não se referem apenas aos resultados clínicos. Muitos dos processos manuais no desenvolvimento de vacinas, pesquisas terapêuticas e atendimento local ao paciente também podem ser tornados mais inteligentes, rápidos e menos repetitivos, usando a tecnologia em cloud, particularmente a adoção de machine learning.

Apoiando os investigadores

Em Portugal, por exemplo, a USF Cova da Piedade receava ter que fazer telefonemas diários para centenas de pacientes COVID-19 com poucos sintomas, isolados em casa, para saber se o estado de saúde ia piorando. Essa necessidade seria cara e ineficaz. Com o suporte da AWS e da AWS Connect, foi possível ter um serviço telefónico em cloud, sem a necessidade de aquisição de equipamentos físicos. Era, em parte, um atendimento automático para quem precisava de esclarecer dúvidas simples, como saber como obter uma justificação de ausência do trabalho. Por outro lado, um médico atendia o telefone sempre que um paciente apresentava sintomas mais graves, ao mesmo tempo que consultava rapidamente o seu histórico clínico.

Com o call center nos serviços em cloud da AWS, em apenas quatro semanas, a USF Cova da Piedade reduziu os telefonemas para os profissionais de saúde em 71%. Em média, passaram a atender apenas 15 ligações por dia, de pacientes cujo estado de saúde se agravou ou que, realmente, precisavam tirar dúvidas com um profissional de saúde.

Em França, o Laboratório de Química Teórica da Universidade Sorbonne lançou investigações para compreender melhor como o vírus funciona ao nível molecular - um processo baseado na computação de alto desempenho (HPC) da AWS para modelar proteínas diferentes. Usando a tecnologia em cloud, estima-se que o laboratório conclua os cálculos em menos de seis meses, em vez de vários anos.

As empresas de saúde digital Smart Reporting, na Alemanha, e Thirona, na Holanda, têm trabalhado para criar uma solução baseada em tomografia computorizada (imagens TC) para auxiliar no diagnóstico COVID-19.

O Dr. Wieland Sommer, fundador e CEO da Smart Reporting, explica: “Geralmente são necessários vários anos até que uma pesquisa académica se traduza num produto real e viável. Aqui, fizemos tudo isso em três meses, disponibilizando produtos que interagem (com a Thirona). Isso foi possível graças à tecnologia em cloud, pois todos usamos a mesma infraestrutura”.

Os profissionais de saúde também enfrentaram uma onda de informações sobre o vírus. De facto, foram publicados mais de 300.000 artigos de investigação médica sobre o tratamento da COVID-19 entre dezembro de 2019 e maio de 2020.

Para lidar com esta "infodemia", uma equipa do Imperial College London criou uma plataforma de conhecimento global chamada REDASA (REaltime Data Analysis and Synthesis). A plataforma combina inteligência artificial com experiência humana para ajudar a comunidade de saúde a compreender rapidamente essa onda de informação, encontrando, em última instância, melhores tratamentos para a COVID-19 e poupando dezenas de milhares de horas aos médicos - tempo mais bem empregue no atendimento a pacientes e em planeamento.

Desenvolvimento e implementação de vacinas

No desenvolvimento de vacinas, os cientistas da farmacêutica Moderna estão a usar a AWS para acelerar o processo em que candidatos participam em ensaios clínicos; para aumentar a agilidade da sua pesquisa, desenvolvimento e produção; e para obter resultados, como vacinas personalizadas contra o cancro, que seriam impossíveis há poucos anos.

Todos os algoritmos de pesquisa da Moderna contam com o poder da computação em cloud para promover a ciência. Da mesma forma, toda a sua produção é totalmente digitalizada, sem papel e fica na cloud. Para os ensaios clínicos, a maioria dos seus dados de teste ficam guardados, em segurança, na AWS, usando o Amazon Redshift para análises.

Tecnologia de apoio ao atendimento ao paciente

No atendimento ao paciente, houve um boom nas consultas médicas por videoconferência, dado que as plataformas digitais tornaram a conversa mais fácil, rápida e conveniente.

No Reino Unido, por exemplo, o serviço digital de saúde Attend Anywhere possibilitou dezenas de milhares de consultas digitais em apenas alguns meses, no início da crise no ano passado, e a aceitação aumenta a cada mês. Esta mudança para as plataformas digitais deve persistir depois da pandemia e possibilita benefícios de longo prazo para pacientes e médicos.

Em Inglaterra, o National Health Service (NHS) usou a computação em cloud para analisar dados sobre os níveis de ocupação dos hospitais, capacidade da sala de emergência e tempos de espera dos pacientes, para decidir onde alocar recursos.

NHS Digital - que projeta, constrói e opera os produtos digitais, sistemas de dados, e serviços para o sistema nacional de saúde no Reino Unido -, também usou uma infraestrutura elástica em cloud para fornecer novos produtos e escalar os serviços existentes. Por exemplo, o pico de carga de um sistema-chave nas primeiras semanas da pandemia foi 95 vezes maior do que o anterior máximo.

O futuro da computação em cloud na área de saúde é incrivelmente empolgante. E a velocidade de inovação na área de saúde só vai aumentar à medida que as organizações e empresas demonstrem eficácia no mundo real. Mais importante ainda, essas inovações podem ser vistas e sentidas no atendimento de pacientes e nas suas melhorias no estado de saúde, em todo o mundo.

Investir na Saúde é também investir na Formação
Editorial | Carlos Mestre
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Em março de 2021 existia em Portugal continental um total de 898.240 pessoas sem Médico de Família (MF) atribuído, ou seja, 8,7% da população não tem um acompanhamento regular com todas as medidas preventivas e curativas inerentes ao papel do especialista em Medicina Geral e Familiar (MGF).

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