Importância do diagnóstico diferencial das cefaleias VS enxaqueca
DATA
13/09/2021 09:29:04
AUTOR
Jornal Médico
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Importância do diagnóstico diferencial das cefaleias VS enxaqueca

No dia 12 de setembro celebra-se o Dia Europeu de Ação da Enxaqueca, que pretende sensibilizar a população para o impacto – invisível — desta patologia. A relevância da enxaqueca no contexto das cefaleias deve-se à sua enorme prevalência, cerca de 12% da população mundial, e ao facto de as crises de enxaqueca serem habitualmente intensas e associadas a incapacidade temporária, pelo que é atualmente considerada a segunda causa mundial de anos vividos com incapacidade, pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A Classificação Internacional de Cefaleias (http://www.cefaleias-spc.com/wp-content/uploads/2019/11/e103_sinapse-vol-18-n-2-novembro-2018-suplemento-2.pdf) inclui cerca de duas centenas de  tipos de cefaleias diferentes, divididas em três grupos nosológicos: primárias, secundárias e nevralgias cranianas.

A enxaqueca pertence ao grupo das cefaleias primárias e é a cefaleias que mais leva os doentes aos médicos, quer em contexto de consulta quer em contexto de urgência; além dos clássicos sintomas que permitem o diagnóstico – crises de dor geralmente pulsátil, lateralizada, incapacitante, associada a náuseas e/ou vómitos e que se agrava com a luz, ruido e movimento/ esforço físico – muitos outros sintomas ocorrem neste síndrome o que leva estes doentes a frequentemente visitar várias especialidades, tais como oftalmologia (apor queixas de fotofobia, agravamento com esforço visual e se ocorrerem auras visuais), otorrinolaringologia (se a dor é frontal ou maxilar ou tem sintomas autonómicos associados), ortopedia ou medicina física e reabilitação (quando a dor é mais posterior e se associa a tensão muscular), gastroenterologia (por náuseas e vómitos recorrentes), sendo os médicos de medicina geral e familiar, os pediatras e os neurologistas as especialidades que mais frequentemente gerem estes doentes. Muitas vezes a chave do diagnóstico está no padrão temporal das crises, na forma como os sintomas se sucedem na síndrome e na associação com fatores desencadeantes.

Mesmo as cefaleias secundárias raramente se confundem com a enxaqueca, se prestarmos atenção ao perfil temporal. No entanto, os doentes com enxaqueca podem ter outras patologias que cursem com cefaleias e tanto o médico como o próprio doente podem desvalorizar os sintomas. De particular relevância são as cefaleias associadas a doenças com envolvimento meníngeo, tais como as fases iniciais das meningites (que se associam a febre, sintomas constitucionais, sinais meníngeos e não remitem) e as associadas a hemorragia subaracnoideia, que se distinguem pelo seu início abrupto e explosivo, atingindo uma intensidade máxima insuportável em < de 1 minuto, sobretudo se ocorrem em contexto de esforço físico.

Outros sinais de alarme para suspeitar de cefaleias secundárias estão relacionados com o risco do próprio doentes (doentes oncológicos, anticoagulados ou imunosuprimidos ou doentes cujo início das cefaleias ocorra após os 50 anos de idade), com o tipo de dor (padrão súbito, padrão de hipertensão intracraniana, padrão ortostático, padrão resistente à medicação/ não remitente ou progressivo) e com a presença de sintomas acompanhantes suspeitos (febre, sinais focais, alteração da consciência, alteração da visão, hipertensão não controlada, entre outros).

Sendo o diagnóstico fundamental, é também necessário saber tratar as enxaquecas. Existem inúmeras opções eficazes, farmacológicas e não farmacológicas, quer para o tratamento da crise quer preventivo, sendo fundamental monitorizar a atividade da doença e controlar os desencadeantes e comorbilidades de forma a otimizar o resultado terapêutico.

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Editorial | Carlos Mestre
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