Glândula tiroideia: a glândula da vida

A propósito do Dia de Sensibilização para o Cancro da Tiroide, que se assinala a 24 de setembro, a presidente da direção da Associação das Doenças da Tiroide (ADTI), Celeste Campinho, partilha a sua visão acerca desta “pequena grande glândula”, começando por esclarecer que as doenças da tiroide afetam cerca de um milhão de portugueses.

Falarmos em “tiroide” é falarmos numa pequena grande glândula, isto é, pequena de tamanho e grande na importante tarefa que desempenha na regulação do metabolismo, ou seja, na regulação e funcionamento do nosso corpo.

As doenças da tiroide são muitas vezes silenciosas, mas são muito comuns, estima-se que afetam cerca de um milhão de portugueses e de 300 milhões de pessoas no mundo.

A patologia tiroideia é particularmente comum na mulher, sobretudo a partir da meia idade, provavelmente relacionado com fatores hormonais, mas também devido a uma maior vigilância médica neste grupo. No entanto, temos também verificado que existem muitos homens com esta patologia.

Dado o número elevadíssimo de pessoas que sofrem de hipotiroidismo (condição em que as hormonas da tiroide estão em quantidade insuficiente no sangue comprometendo o normal funcionamento do organismo), a Associação das Doenças da Tiroide (ADTI), levou a cabo um inquérito nacional que teve início no passado mês de maio, na Semana Internacional da Tiroide e que foi um sucesso. O inquérito teve como objetivo conhecer o papel do hipotiroidismo na vida de quem tem o diagnóstico e como lidam as pessoas com esta patologia (os resultados poderão ser conhecidos em www.adti.pt).

No entanto, existem múltiplas doenças da tiroide, também importantes e que exigem tratamento com bastante celeridade para minimizar os danos que possam causar.

Devido, em grande parte, à maior utilização dos meios auxiliares de diagnóstico, nomeadamente a ecografia, são detetados nódulos da tiroide numa grande percentagem da população. Grande parte destes nódulos são benignos, no entanto, estima-se que entre 5% a 10% dos casos podem ser malignos. Habitualmente, o cancro da tiroide tem um prognóstico excelente, desde que previamente diagnosticado, corretamente tratado e tendo um seguimento adequado.

O cancro da tiroideia mais frequente é o carcinoma papilar da tiroideia.

O número de novos casos de cancro da tiroideia tem vindo a ter um ligeiro aumento, sem que se conheça o motivo. Este facto leva os especialistas a considerarem como prováveis as causas ambientais para o surgimento desta patologia. Identificadas estão já as causas como a exposição a radiações (como foi o caso de Chernobyl), a exposição a radioterapia na zona do pescoço e situações de natureza familiar (num reduzido número).

Assim, a divulgação e informação sobre a patologia nodular da tiróide para a população em geral é fundamental. A malignidade é relativamente rara, e como mencionado anteriormente, o carcinoma da tiroideia tem habitualmente um bom prognóstico, sendo, contudo, fundamental o diagnóstico precoce, tratamento adequado e vigilância periódica.

É importante evitar uma ansiedade excessiva perante um diagnóstico de nódulo da tiróide, pois na grande maioria dos casos são benignos.

As doenças da tiróide geralmente são tratáveis. Contudo, quando não são diagnosticadas e tratadas convenientemente podem trazer consequências graves, afetando o funcionamento de outros órgãos e sistemas. O funcionamento da tiróide é fácil de avaliar através de uma análise laboratorial, após avaliação clínica, e caberá ao médico decidir se a pessoa deve ou não efetuar essa análise.

A ADTI tem efetuado várias campanhas de sensibilização e informação acerca da glândula tiroideia, que pela sua importância, é conhecida como "glândula da vida".

Se os jovens Médicos de Família querem permanecer no SNS e se o SNS precisa deles, o que falta?
Editorial | António Luz Pereira
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