Fibrilhação Auricular: prevenir e controlar

Responsável por um quinto dos AVC em Portugal, a Fibrilhação Auricular é a alteração mais frequente do ritmo cardíaco. Grave e potencialmente fatal, tem, na deteção precoce e no controlo, as bases para a manutenção de uma boa qualidade de vida.

 A Fibrilhação Auricular é uma arritmia caracterizada pela irregularidade da contração auricular. Esta irregularidade leva à estagnação do sangue e à consequente formação de coágulos no interior do coração. Caso estes coágulos cheguem à corrente sanguínea, corremos o risco de atingirem as artérias cerebrais e poder provocar com muita frequência a tragédia chamada Acidente Vascular Cerebral.  

A partir dos 40 anos, calcula-se que 2.5% da população portuguesa possa sofrer de Fibrilhação Auricular, percentagem que aumenta com a idade e depois dos 65 anos, possa chegar aos 10%. 

Caso não seja controlada, aumenta cinco vezes o risco de AVC, três vezes o risco de insuficiência cardíaca e duplica o risco de demência e de morte.

O diagnóstico precoce e o respetivo tratamento são fundamentais para a prevenção desta patologia e das eventuais sequelas e complicações.

Estreitamente ligada ao envelhecimento, variável que não controlamos, a Fibrilhação Auricular pode estar relacionada com outros fatores de risco controláveis, como o sedentarismo, o tabagismo ou o alcoolismo, ou ainda com condições como a obesidade, a diabetes, a hipertensão arterial ou a apneia obstrutiva do sono, entre outras.

Apesar de, numa parte dos casos, poder ser assintomática, na sua maioria não o é seguramente, pelo que devemos ter atenção a sinais como palpitações, falta de ar, tonturas ou intolerância ao esforço. Um pulso irregular pode levantar a suspeita de Fibrilhação Auricular mas, para que o diagnóstico seja confirmado, devemos realizar um eletrocardiograma ou outro registo eletrocardiográfico mais prolongado.

O gesto que o pode salvar

Como já foi referido esta arritmia pode ser, por vezes, assintomática, e nestes casos pode acabar por ser diagnosticada em exames de rotina ou quando ocorre alguma complicação.

 A medição do pulso é forma mais simples de a detetar, uma vez que nos permite perceber eventuais irregularidades, pelo que a partir de determinada idade, devemos fazer desta medição um hábito regular. Um gesto simples que nos podes salvar.

Controlar a Fibrilhação Auricular

A Fibrilhação Auricular pode ser tratada, revertida ou mesmo curada, ainda que por vezes essa estratégia não seja possível e temos de nos ficar pelo controlo da frequência cardíaca. 

Neste caso a alteração de hábitos de vida nocivos e a instituição de terapêutica com fármacos que controlam a frequência cardíaca e terapia anticoagulante, revelam-se fundamentais para a redução das complicações e até da mortalidade 

Estas terapêuticas destinam-se, sobretudo, a melhorar os sintomas e a controlar a frequência e o ritmo cardíaco, prevenindo eventuais AVCs ou insuficiência cardíaca. 

Em Portugal, como no resto do Mundo, as diretrizes apontam para que se recorra aos NOAC, os Novos Anticoagulantes Orais (NOAC). Fáceis de ministrar, podem ser tomados uma a duas vezes por dia, dependendo do fármaco 

A par das alterações dos hábitos de vida e do recurso à terapêutica, o bom controlo desta arritmia depende, muito do cumprimento escrupuloso das recomendações do médico. 

Se os jovens Médicos de Família querem permanecer no SNS e se o SNS precisa deles, o que falta?
Editorial | António Luz Pereira
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