“Pai, posso brincar com o teu tablet?”
DATA
02/11/2021 09:39:57
AUTOR
Maria de Sousa Miranda; Marta Silva Oliveira; Filipa Vale
ETIQUETAS




“Pai, posso brincar com o teu tablet?”

Vivemos num mundo onde as crianças crescem “digitalmente", estão constantemente expostas a televisão, computadores, smartphones, tablets e outras formas de tecnologia, que influenciam a sua aprendizagem, comportamentos, pensamentos, emoções e ações.

Numa época em que o isolamento social provocou um agravamento da exposição infantil a meios digitais, torna-se ainda mais preponderante ajudá-las a aprender conceitos saudáveis, de uso digital e cidadania, desempenhando os pais, com o apoio dos seus médicos, um papel crucial no ensino dessas habilidades.

A utilização da tecnologia apresenta algumas vantagens no desenvolvimento infantil, podendo contribuir para a aprendizagem de outras línguas e promover a partilha de experiências entre pais e filhos (os pais conseguirão conhecer os gostos dos seus filhos, estimular a interação social e partilhar tempo e experiências). Pode ainda potenciar a aquisição de competências de escrita, leitura e cálculo (após os 2 anos de idade, programas bem elaborados potenciam o ensino do alfabeto, de matemática, de ciências, de solução de problemas e de comportamento social). Foi demonstrado que a utilização de um telemóvel aumenta a segurança sentida pelos pais, uma vez que no caso de um evento inesperado ou de ocorrência de um problema, os pais sabem que com o telemóvel podem estabelecer contacto com a criança a qualquer momento.

No entanto, a utilização abusiva da tecnologia acarreta inúmeras desvantagens, podendo contribuir para o aumento do risco de obesidade (pela diminuição da atividade física, maior exposição a anúncios de snacks e fast-food, e alimentação desadequada muitas vezes associada ao tempo a ver TV ou a jogar), interferência com a qualidade do sono (uma vez que a exposição à luz e ao conteúdo estimulante das telas pode atrasar ou interromper o sono), diminuição da interação entre crianças, das brincadeiras ao ar livre e do desenvolvimento de capacidades motoras, diminuição do rendimento escolar, aumento do défice de atenção e aumento da agressividade. A exposição prévia aos 18 meses está associada a uma contribuição negativa para o desenvolvimento da linguagem, leitura, sono, atenção e memória de curto prazo das crianças.

Assim, é necessário estabelecer limites e evitar o uso de tecnologia antes dos 18-24 meses de idade e nas crianças mais velhas limitar a exposição a 1 hora/dia. Deve ser limitada a utilização de ecrãs uma hora antes da criança ir dormir e toda a tecnologia retirada durante a noite. Em casa, devem ser criadas zonas “livres de tecnologia” (nomeadamente durante as refeições e em reuniões familiares) e promovidas brincadeiras não eletrónicas e ao ar-livre, bem como mensagens não-verbais: o contato visual, expressões faciais, gestos e linguagem corporal ajudam a criança na compreensão e reconhecimento de emoções, essenciais ao seu normal desenvolvimento.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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