Fisioterapia uroginecológica
DATA
03/11/2021 09:45:10
AUTOR
Laira Ramos
ETIQUETAS



Fisioterapia uroginecológica

A fisioterapia uroginecológica deve visar a reabilitação global dos músculos do pavimento pélvico e não o tratamento isolado das patologias. Estes músculos participam da função urinária, defecatória, sexual e do suporte dos órgãos pélvicos, a sua contração resulta num movimento ventral e cranial, fechando a uretra, a vagina e o ânus, e elevando os órgãos pélvicos. O seu relaxamento permite a abertura dessas estruturas e a descida destes orgãos.

Quando estes músculos enfraquecem, a consequência pode ser a incontinência urinária e fecal, prolapso dos órgãos pélvicos, disfunções sexuais ligadas à falta de prazer e sensação de vagina dilatada. Quando existe hiperatividade muscular, pode ocorrer retenção urinária, obstipação, dores pélvicas e disfunções sexuais ligadas à dor.

Para obtermos bons resultados no tratamento através de fisioterapia, é imprescindível que façamos a avaliação  dos músculos do pavimento pélvico, esta pode ser feita pelo toque vaginal. Neste exame, há que verificar se existem pontos de tensão muscular, se a paciente consegue contrair e relaxar os músculos e qual o seu estado no que se refere ao alongamento.

A fisioterapia é indicada como primeira linha de tratamento para as disfunções do pavimento pélvico. Podemos dividir os tratamentos em técnicas ativas e passivas; as técnicas ativas são aquelas que quando realizadas aumentam o gasto energético da paciente, as principais são: cinesioterapia (como ou sem o uso de biofeedback), electroestimulação e os cones vaginais.

As técnicas passivas não geram aumento do gasto energético da paciente, sendo as principais: massagem perineal e cicatricial, dispositivos de alongamento, dilatadores vaginais e dessensibilização.
Os tratamentos devem ser realizados com o objetivo de reestabilização da função neuromuscular global, visando o retorno de todas as funções do pavimento pélvico: função urinária, fecal, sexual e de sustentação; as técnicas utilizadas devem ser escolhidas analisando as queixas da paciente e os resultados da avaliação. Poderá ser identificada alguma melhoria entre 5.ª e a 10.ª sessão, e o tratamento concluído com 15 a 20 sessões.

Em geral, as pacientes  que me procuram com queixas leves de incontinência urinária ou fecal (perdas esporádicas de algumas gotas de urina, perda de gases ou fezes líquidas), uma pequena dispareunia (dor subtil somente no início da penetração associada à contração dos músculos do pavimento pélvico ou a uma cicatriz), apresentam alguma melhoria entre 3 a 5 sessões, sendo o tratamento concluído com 8 a 12 sessões.

Quando a paciente apresenta queixas moderadas de incontinência urinária ou fecal (perdas regulares de urina em jato ou perda de fezes pastosas), uma dispareunia mais acentuada (dor relevante durante a penetração que torna todo o acto sexual desconfortável) e prolapso grau 1, geralmente apresentam melhorias com 5 a 8 sessões, e o tratamento é concluído com 12 a 15 sessões.

Somente as pacientes com queixas graves demoram mais de 10 sessões para começarem a ter resultados e precisam de mais de 20 sessões para concluir o tratamento.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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