A Razão de ser de um Simpósio em Dermocosmética Vegetal
DATA
05/11/2021 10:04:02
AUTOR
Ana Silva
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A Razão de ser de um Simpósio em Dermocosmética Vegetal

Num momento de grande saturação de reuniões online e webinares, era difícil pensar como obter a atenção de uma audiência médica em relação a uma temática como o uso de extratos vegetais em dermocosmética. Fomos amadurecendo a ideia e verificámos que, apesar do conhecimento cada vez mais evoluído nesta área, o Dermatologista, necessita de informação credível e científica relacionada com o uso de plantas, de modo a poder responder às expectativas crescentes muitos dos seus doentes em relação a este grupo de produtos ditos “naturais” ou “BIO”, em que há uma enorme oferta no mercado. Contudo, é importante conhecer as características e as exigências por detrás de um produto dermocosmético à base de plantas.

Fazemos um parêntesis para contar a história do fundador do laboratório farmacêutico com reconhecimento mundial na produção de extratos de plantas, a Pierre Fabre.

Sendo Pierre Fabre um farmacêutico apaixonado por Botânica, desenvolveu o primeiro medicamento do Grupo, baseando-se no extrato de uma planta, Ruscus aculeatus, indicado na insuficiência venosa dos membros inferiores. Estávamos em 1966. A partir daqui a dedicação à pesquisa e recolha das espécies, em todo o mundo, com potencial terapêutico desenvolveu-se a par com a investigação científica sobre as suas indicações em áreas como a Dermatologia, Urologia ou Oncologia.

Esta especialização com mais de 50 anos vem ao encontro da atualidade. Nunca se falou tanto na importância da biodiversidade e nunca antes ela esteve tão ameaçada.

Esta preocupação reflete-se nos nossos hábitos diários, associando a naturalidade dos produtos que usamos ao bem-estar que eles proporcionam.

Contudo, nem tudo “o que é natural é bom”. Da seleção da planta, ao processo de fabrico, controle de qualidade e eficácia/segurança do produto final vai um longo e complexo caminho. Assim, o objetivo deste simpósio é apresentar, de uma forma técnica/científica, a cadeia de valor que vai do cultivo experimental às técnicas de seleção, produção agrícola, métodos de extração e à incorporação dos ingredientes à base de plantas no produto acabado. De facto, a traçabilidade de todas as etapas de produção de um extrato de planta tornou-se uma prioridade no fabrico de medicamentos, mas também de produtos dermocosméticos.

Igualmente, é importante conhecer os aspetos regulamentares relacionados com as normas em vigor para que um produto possa reivindicar o estatuto “BIO”, garantido toda a transparência ao profissional de saúde que o recomenda e ao utilizador.

A integração da informação histórica do uso de plantas em Dermatologia é uma parte fundamental deste Simpósio, completando e validando o seu objectivo.

Esperamos desta forma contribuir para uma melhor informação sobre a boa utilização dos produtos à base de plantas e, sobretudo, da distinção da oferta no mercado atual face à tendência e à crescente exigência relativa aos produtos dermocosméticos “naturais” e “BIO”.

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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