“A telereabilitação respiratória pode ter resultados semelhantes aos alcançados com programas presenciais”
DATA
16/11/2021 17:54:27
AUTOR
Ana Filipe Santos, Ana Martins, Clara Cruz
ETIQUETAS




“A telereabilitação respiratória pode ter resultados semelhantes aos alcançados com programas presenciais”

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma das principais causas de incapacidade funcional e morbilidade, estimando-se que mundialmente 174 milhões de pessoas são afetadas por ela. (1)

Os sintomas habituais da DPOC são dispneia, tosse e expetoração, status funcional diminuído e consequente diminuição do desempenho ocupacional e dificuldade na realização das atividades da vida diária.

Durante a pandemia da COVID-19 a totalidade da população foi sujeita a medidas de confinamento. Para além disso instalou-se nos doentes com DPOC e outras doenças respiratórias crónicas uma sensação de medo de contrair COVID-19 e das consequências devastadoras que daí poderiam advir. (1)

O período de confinamento e suspensão temporária dos programas de reabilitação respiratória trouxe, para alguns doentes, o agravamento dos sintomas associados às atividades de vida diária e capacidade de exercício devido ao descondicionamento físico, consequência da redução drástica das atividades habituais.

Os programas de reabilitação respiratória constituem uma abordagem abrangente baseada numa avaliação completa do doente, seguida de intervenções personalizadas, que incluem, entre outras, treino com exercícios, educação e mudança de comportamento, projetadas para melhorar a condição física e psicológica das pessoas com doença respiratória crónica e promover a adesão a longo prazo a comportamentos que melhoram a saúde (2) e são uma mais-valia na recuperação no período pós confinamento.

Além disso, esta nova realidade trouxe também outras estratégias de intervenção, como a telereabilitação. Tem-se verificado que a telereabilitação respiratória pode ter resultados semelhantes aos alcançados com programas presenciais convencionais na redução da dispneia, capacidade para o exercício e qualidade de vida relacionada com a saúde em doentes com DPOC. Assim, num contexto onde não seja possível realizar um programa numa unidade de reabilitação ou em regime presencial — porque o doente reside longe da unidade, a deslocação à unidade é penosa pela gravidade da doença, ou porque ainda não se sinta seguro para se deslocar às unidades de saúde devido à pandemia — esta é uma estratégia adequada e exequível de se manter e potenciar (3). A nossa experiência aponta para que um programa misto (presencial e telereabilitação) promova uma maior auto-monitorização dos sintomas e responsabilização no processo de reabilitação, tornando o doente mais autónomo na gestão da sua doença.

Referências

(1) Yohannes, A. (2021) COPD patients in a COVID-19 society: depression and anxiety, Expert Review of Respiratory Medicine, 15:1, 5-7, DOI:10.1080/17476348.2020.1787835

(2) ERS/ATS (2013) An Official American Thoracic Society/European Respiratory Society Statement: Key Concepts and Advances in Pulmonary Rehabilitation, Am J Respir Crit Care Med Vol 188, Iss. 8, pp e13–e64,DOI: 10.1164/rccm.201309-1634ST I,

(4) Seron, P. et al (2021) Effectiveness of Telerehabilitation in Physical Therapy: A Rapid Overview, Physical Therapy & Rehabilitation Journal | Physical Therapy;101:1–18, DOI: 10.1093/ptj/pzab053

 

Fisioterapeutas da  Unidade de Reabilitação Respiratória, CHULN - Hospital Pulido Valente

Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

Mais lidas