“A autogestão da DPOC é fundamental para o sucesso do tratamento e melhoria da qualidade de vida”

A DPOC é definida como uma patologia frequente, evitável e tratável, caracterizada por sintomas respiratórios persistentes e limitação do fluxo de ar, derivado de anomalias das vias aéreas e/ou alveolares, geralmente causadas por exposição a partículas ou gases nocivos. Os sintomas respiratórios mais comuns, são a dispneia, a tosse e/ou expetoração. A dispneia crónica progressiva é o sintoma mais característico da DPOC, sendo que a tosse com expetoração está presente em 30% dos doentes (GOLD, 2021).

Simões (2021) refere que são 800 mil os portugueses com idade superior a 40 anos com DPOC, 66% dos doentes internados são homens e a mortalidade é de 7,3 (GRESP, 2021).

Educar o doente com DPOC, promovendo o auto-cuidado e envolvendo activamente o cuidador, é fundamental, pois é através da educação para a saúde, que se adquirem competências para a gestão da doença e adesão a comportamentos saudáveis.

Os tópicos educacionais devem ser os seguintes: reconhecimento precoce da doença e tratamento de exacerbações/ auto-gestão das mesmas; tomada de decisão no fim de vida; estratégias de coping; anatomia e fisiologia pulmonar; fisiopatologia da doença respiratória; estratégias de respiração ou coordenação respiratória; a importância do cumprimento da terapêutica; técnica inalatória eficaz; técnicas de drenagem de secreções; ingestão de alimentos saudáveis; cessação tabágica; ansiedade e controlo do pânico/stress; benefícios da atividade física; conservação de energia durante as atividades de vida diárias; relação terapêutica com a equipa multidisciplinar e atividades de lazer (Stoilkova, Janssen e Wouters, 2013).

Dando ênfase à adoção de estilos de vida saudáveis, podemos salientar que:

- A cessação tabágica é a medida mais eficaz para evitar o aparecimento da DPOC ou desacelerar o declínio da função pulmonar;

- Uma alimentação saudável e equilibrada é muito importante, o baixo peso pode afetar a capacidade física/resistência e aumentar o risco de infeção;

- Atividade física ajuda a controlar a dispneia, aumenta a tolerância ao esforço, melhora o controlo da ansiedade, aumenta a confiança nas capacidades individuais;

- Identificar fatores de stress pois são promotores de ansiedade;

- Qualidade do sono pode prevenir o cansaço diurno e permitir a restauração da energia gasta diariamente.

Em suma, a autogestão da DPOC, por parte da pessoa, é fundamental para o sucesso do tratamento e melhoria da qualidade de vida, sobretudo a adoção de estilos de vida saudáveis.

 

Referências  

Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease- Global Strategy for the Diagnosis Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease, 2021. Acedido em novembro de 2021. Disponível em: https://goldcopd.org/wp-content/uploads/2020/11/GOLD-REPORT-2021-v1.1-25Nov20_WMV.pdf

Guia Prático de Gestão da DPOC nos cuidados de Saúde Primários [Online]. Acedido em novembro de 2021. Disponível em: https://gresp.pt/ficheiros/recursos/guias-praticos/guia-pratico-de-gestao-da-dpoc.pdf?fbclid=IwAR2ai1ctSxIgbmnJDjETF-KfluwWRef_HqnIJ0LGCZsII6TFEgfQfOHgEEY

Stoilkova. A., Janssen, D. J.A., Wouters E. F. M. (2013). Educational programmes in COPD

Governação Clínica
Editorial | Joana Romeira Torres
Governação Clínica

O Serviço Nacional de Saúde em Portugal foi criado e cresceu numa matriz de gestão napoleónica, baseada numa forte regulamentação, hierarquização e subordinação ao poder executivo, tendo como objeto leis e regulamentos para reger a atividade de serviços públicos no geral, existindo ausência de regulamentação relativa à sua articulação com os serviços sociais e económicos.

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