Cuidados de Saúde Primários e a população LGBTQ+

Cada vez mais vamos ouvindo falar de conceitos que para muitos ainda são abstratos no contexto da sexualidade, identidade de género e orientação sexual. O reconhecimento, mas acima de tudo, o conhecimento, por parte da sociedade, das diferenças de cada um tem implicações importantíssimas no dia a dia desta população e têm sido feitos esforços no sentido de verem os seus direitos reconhecidos e acesso às mesmas oportunidades que qualquer outra pessoa.

No entanto, ainda existem muitas barreiras a nível dos cuidados de saúde, barreiras essas que muitas vezes são erguidas pela falta de conhecimento da nossa parte. É importante que o Médico de Família procure informar-se das especificidades dos cuidados de saúde nesta população, mas acima de tudo formar-se nesta área. Durante a formação pré e pós-graduada da maioria dos médicos, a formação nesta temática é escassa. Importa assim garantir que os conhecimentos sejam atualizados e que se inclua nos programas de formação médicos o mais recente e diverso conhecimento científico sobre saúde LGBT.

Mesmo a nível dos Cuidados de Saúde Secundários, ainda há pouca informação e pouca organização, apesar do aparecimento de algumas consultas especializadas em alguns centros hospitalares. Tal como em todas as especialidades, é importante a discussão e troca de informações entre os CSP e os CSS neste sentido, de forma a melhorar a orientação e referenciação destes utentes para consultas hospitalares.

Mais do que saber que pronome utilizar devemos também saber quais as necessidades do utente LGBTQ+ e que cuidados de saúde lhes devemos e podemos prestar, desde a referenciação hospitalar ao seguimento em consulta de MGF, nomeadamente que rastreios implementar. Todos os utentes devem sentir-se seguros no consultório médico, sabendo que podem contar com o seu Médico de Família, estando à vontade para expor os seus problemas, medos e receios.

É importante saber ouvir, cuidar e orientar todos os utentes e prestar-lhes os cuidados de saúde adequados. Mais do que cuidados livres de preconceito e juízos de valor, são necessários cuidados individualizados, centrados na pessoa, conforme está descrito na definição europeia da Medicina Geral e Familiar.

Bibliografia

[1] Saúde em Igualdade // Pelo Acesso a Cuidados de Saúde Adequados e Competentes Para Pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais E Trans. ILGA Portugal

[2] Estratégia de Saúde para as pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexo - LGBTI Volume 1 - Promoção da Saúde das Pessoas Trans e Intersexo. DGS 2019

[3] A Definição Europeia de Medicina Geral e Familiar (Clínica Geral / Medicina Familiar). Wonca Europa 2002.

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
#sejamestrelas

Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

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