A tecnologia de ablação tumoral por laser no tratamento do cancro e da epilepsia e os seus benefícios

A terapia térmica intersticial por laser (LITT) é uma modalidade de tratamento minimamente invasiva que está a ganhar um papel de destaque em diversas áreas da Neurocirurgia. Com evidência crescente da sua eficácia, a LITT é uma ferramenta terapêutica cada vez mais utilizada no tratamento de patologias que incluem tumores cerebrais malignos e epilepsia refratária.  

Em termos técnicos, a LITT consiste na termoablação de tecidos por laser, através da introdução minimamente invasiva de um cateter com uma fibra óptica numa região muito específica do cérebro. Isto é realizado num bloco convencional, recorrendo a técnicas estereotáxicas de precisão milimétrica. Depois, o doente, ainda anestesiado, é transportado para o laboratório de Neurorradiologia, onde é realizada a termoablação propriamente dita, monitorizada em tempo real pela termometria da Ressonância Magnética Nuclear (RMN). Esta técnica de imagem permite acompanhar em tempo real a lesão dos tecidos. 

Este método é dotado de grande minúcia e, consequentemente, maior segurança. Por ser minimamente invasivo, a LITT implica tempos de recuperação e internamento menores, quando comparado com a cirurgia convencional.

Uma das áreas nas quais a LITT mais tem evoluído é no tratamento de tumores cerebrais, uma vez que permite abordar lesões em localizações profundas com maior segurança, como por exemplo os gliomas de alto grau (glioma é o tipo de tumor cerebral maligno mais comum). Além desta área, a técnica tem demonstrado um grande crescimento no tratamento da epilepsia refratária, uma vez que permite a destruição de lesões focais em zonas eloquentes e de uma forma pouco invasiva. Além disto, é já possível realizar cirurgias ablativas complexas de tratamento da esclerose mesial temporal e de outras epilepsias refratárias.

Este tratamento é primordial para o avanço da Neurocirurgia, pois permite o tratamento de tumores cerebrais que não poderiam ser tratados com o recurso à cirurgia convencional, nem a outras técnicas neurocirúrgicas. Os resultados atingidos revelam a enorme eficácia desta técnica e estão a motivar um investimento cada vez maior para o avanço desta.

Exemplo disto é o caso do Serviço de Neurocirurgia do Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP), que foi pioneiro ao introduzir esta nova técnica em Portugal. Esta técnica iniciou-se na europa há relativamente pouco tempo, cerca de três anos e meio, sendo que em 2019 foi realizado o primeiro caso no Hospital de Santo António. Porém, nos Estados Unidos esta técnica já é usada há alguns anos, com muito sucesso, havendo já vários artigos científicos publicados que vêm confirmar os bons resultados deste tratamento.

O objetivo do CHUP passa assim por tratar sempre com recurso às técnicas mais avançadas e inovadoras, de forma a oferecer aos doentes os tratamentos mais eficazes. No caso dos tumores malignos cerebrais, trata-se especialmente de prolongar a vida  do doente com qualidade. Já nos casos de epilepsia, o objetivo é controlar a doença e em alguns casos curar os doentes.

A Neurocirurgia tem passado por uma evolução muito significativa, principalmente com o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de diversos equipamentos e tecnologia. A previsão para o futuro é a de que, se continuarmos a investir na tecnologia, estes tratamentos sejam eficazes para a maioria das doenças, mesmo para aquelas que hoje em dia não têm tratamento, com melhores resultados e menos custos económicos.

#sejamestrelas
Editorial | António Luz Pereira
#sejamestrelas

Ciclicamente as capas dos jornais são preenchidas com o número de novos médicos. Por instantes todos prestam atenção aos números. Sim, para muitos são apenas números. Para nós, são colegas que se decidiram pelo compromisso com os utentes nas mais diversas áreas. Por isso, queremos deixar a todos, mas especialmente aqueles que abraçaram este ano a melhor especialidade do Mundo uma mensagem: “Sejam Estrelas”.

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