Exercício físico e o sucesso académico no curso de medicina
DATA
16/05/2022 11:50:25
AUTOR
Rita Falcão, aluna do 6º ano de Medicina, na Faculdade de Ciências da Saúde da UBI
Exercício físico e o sucesso académico no curso de medicina

A prática de exercício físico tem inúmeros benefícios para a saúde do indivíduo, tanto a nível da prevenção como do tratamento de várias doenças físicas e mentais. As suas ações a nível somático têm sido alvo de maior objeto de estudo, mais do que os seus benefícios mentais, assimetria que, atualmente, tem estado a diminuir. Ao longo dos últimos anos, as sociedades têm testemunhado as graves consequências da inatividade física a nível global.

O curso de medicina é, por si só, um dos cursos mais exigentes, stressantes e desafiantes, pela complexidade dos conhecimentos, pela capacidade de memória e intensos hábitos de estudo, e também pela capacidade cognitiva de aplicar esses mesmos conhecimentos à resolução de problemas.

Para além de tudo isto, regista ainda uma grande perícia ao nível das competências interpessoais. Muitas vezes, a fim de dar resposta a tal exigência académica, os alunos de medicina podem pôr em segundo plano ou, até mesmo, negligenciar atividades de lazer.

A exigência de trabalho, as expectativas de desempenho, a fadiga e o desgaste, culminam numa diminuição do tempo livre ao mesmo tempo que o stress e o burnout  aumentam. Os estudantes de medicina são, desta forma, colocados numa situação de fragilidade social, emocional e física.

De facto, nos últimos anos, estes dados têm despoletado crescente preocupação nas escolas médicas de vários países. Preocupação essa, que se justifica não só pelo impacto psicológico e na qualidade de vida destes estudantes mas também, pelo impacto na capacidade de aprendizagem, deixando estes alunos mais propensos a obter um nível de conhecimentos deficiente ou insuficiente, com consequências negativas, mais tarde, a nível profissional.

Curiosamente, estudos recentes defendem que a prestação académica é influenciada não só pelo grau de inteligência, mas por um conjunto de fatores, tais como a motivação, a autoestima e fatores sociais. Desta forma, a prestação académica surge-nos como um conceito multifacetado, influenciado por fatores sociais, emocionais e de personalidade.

De facto, a interação entre a atividade física e a prestação académica é uma área de investigação em rápido desenvolvimento, que ganha, de dia para dia, uma maior importância para a saúde e desempenho daqueles que praticam exercício.

Em virtude dos avanços científicos e tecnológicos que têm permitido o desenvolvimento de novos e mais sofisticados métodos de imagem, tem-se compreendido melhor os mecanismos pelos quais o exercício interfere na prestação académica. Tais estudos são de grande importância para a elaboração de modelos de treino eficazes, com o objetivo de melhorar a cognição, saúde mental e física.

Em vários estudos, foi inferida uma correlação positiva entre a prática desportiva e a tolerância a situações de stress, correta gestão de tempo e estratégias adaptativas de coping, para além de se verificar menores níveis de ansiedade, maior concentração e uma melhoria das funções cognitivas.

A integração de atividades recreacionais e ocupacionais nos planos curriculares académicos, pode ser uma boa estratégia no combate à inatividade física promovendo, simultaneamente, o bem-estar, saúde mental e o sucesso académico dos alunos. Atendendo ao impacto social positivo que os estudantes de medicina terão enquanto futuros profissionais de saúde, deve ser dada especial atenção às escolas de medicina, para que as suas instalações, infraestruturas e recursos promovam a motivação e o empenho para a prática de atividade física junto dos seus alunos. Para além disso, seria fundamental que os responsáveis académicos, desde o início,  instilassem no espírito dos estudantes, futuros médicos, a ideia de que o exercício físico é fundamental e decisivo para as suas boas prestações tanto académicas como profissionais, ao mesmo tempo que promovem o seu bem-estar psicológico.

 

Melhoria da autoestima

Redução da depressão

Níveis mais elevados de concentração

Aumento da motivação

Melhor gestão de tempo

Maior tolerância a situações de stress

Estratégias adaptativas de coping

Redução da ansiedade

Diminuição de sentimentos de solidão

Promoção do bem-estar psicológico

 

Tabela 1: Quadro resumo das consequências da prática de EF.

As certezas enganadoras sobre os Outros
Editorial | Mário Santos
As certezas enganadoras sobre os Outros

No processo de reflexão da minha prática clínica, levo em conta para além do meu índice de desempenho geral (IDG) e da satisfação dos meus pacientes, a opinião dos Outros. Não deixo, por isso, de ler as entrevistas cujos destaques despertam em mim o interesse sobre o que pensam e o que esperam das minhas funções, como médico de família. Selecionei alguns títulos divulgados pelo Jornal Médico, que mereceram a minha atenção no último ano: