José Presa: "A Hepatite não pode esperar!"
DATA
18/07/2022 09:50:05
AUTOR
José Presa
José Presa: "A Hepatite não pode esperar!"

Tendo em conta que julho é o mês da consciencialização para as Hepatites, leia o artigo de opinião da autoria de José Presa, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF), acerca dos vários tipos de Hepatites e da sua prevalência no mundo e em Portugal.  

A Hepatite caracteriza-se por uma inflamação das células do fígado, podendo apresentar várias etiologias, como é o caso dos vírus da Hepatite A, B, C, D e E. 

A Hepatite B é considerada a mais perigosa e grave, afetando milhões de pessoas em todo o mundo, podendo tornar-se crónica e evoluir cirrose hepática e para cancro do fígado. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em todo o mundo, vivem com este tipo de Hepatite 296 milhões de pessoas e causou a morte em 2019 a 820 mil pessoas. Em Portugal, a Hepatite B afeta cerca de 1 a 1,5 por cento da população. Apesar de ser grave, pode ser prevenida através da vacinação, tendo uma eficácia de cerca de 95 por cento.

A Hepatite C evolui com muita frequência para formas crónicas. Estima-se que existam entre 50 a 100 mil doentes em Portugal a maioria por diagnosticar. Os principais afetados são os consumidores de drogas injetáveis e as pessoas que receberam transfusões de sangue antes de 1992. Pode evoluir para doença hepática grave e é, em Portugal, a principal origem do cancro do fígado (60 por cento dos casos) e uma das mais importantes causas de cirrose (25 por cento dos casos).

No entanto, além dos vírus, existem outras lesões do fígado, como é o caso das alterações do sistema imune — o sistema de defesa do organismo (a chamada Hepatite autoimune), ou a gordura no fígado, algo cada vez mais prevalente na sociedade, com números crescentes também em números de doença hepática.

Uma vez que o fígado é um órgão com uma grande importância e função no sistema digestivo, caso exista inflamação, pode dar origem a várias complicações. A gravidade e o prognóstico da Hepatite variam consoante o tipo de Hepatite e as comorbilidades já existentes. 

Porém, estas são doenças evitáveis e tratáveis, e, no caso da Hepatite C, existe cura. Atualmente, a taxa de cura para a Hepatite C situa-se em 96 por cento, sendo fundamental que o diagnóstico seja feito atempadamente. Os medicamentos pretendem inibir a multiplicação do vírus da Hepatite B ou eliminar a multiplicação do vírus da Hepatite C e, desse modo, reduzir as lesões causadas ao fígado.

Os sinais e sintomas de Hepatite dependem de vários fatores, nomeadamente a gravidade da doença, mas a maioria dos doentes apresenta fadiga, náuseas, falta de apetite, icterícia, urina escura e fezes claras.

Ainda assim, alguns tipos de Hepatite podem não provocar sintomas durante largos períodos de tempo, mesmo na presença de inflamação do fígado.

O diagnóstico de Hepatite é feito através dos sintomas indicados pelo doente e, ainda, da realização de exames complementares. As análises ao sangue são, por norma, a maneira mais comum de diagnosticar a Hepatite, porém, pode ser necessário complementar com ecografia abdominal, TAC ou ressonância magnética, para verificar se existem outras lesões.

Além disso, é aconselhado que sejam alterados os hábitos alimentares e as rotinas do doente, como, por exemplo, evitar bebidas alcoólicas, repousar e manter um peso saudável. 

Na maioria das vezes, o tempo é o melhor amigo do tratamento das Hepatites. Não adie a consulta ao médico. Cuide do seu fígado.

Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.