Pedro Correia Azevedo: Fortalecer a amamentação
DATA
03/08/2022 10:55:05
AUTOR
Pedro Correia Azevedo
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Pedro Correia Azevedo: Fortalecer a amamentação

Leia o artigo de opinião da autoria de Pedro Correia Azevedo, coordenador do Núcleo de Estudos de Medicina Obstétrica da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), acerca da amamentação e dos seus benefícios quer para a mãe, quer para o bebé, a propósito da Semana Mundial do Aleitamento Materno, assinalada de 1 a 7 de agosto.

Na Semana Mundial do Aleitamento Materno importa lembrar os benefícios da amamentação. A nutrição tem implicações no crescimento e desenvolvimento das crianças, sendo que logo após o nascimento devem ser adotadas as melhores práticas na alimentação. A amamentação não tem uma duração ideal – sendo o melhor alimento até aos 2 anos de vida, é recomendado o seu uso exclusivo nos primeiros 6 meses, podendo ser mantido com a introdução de outros alimentos enquanto a mãe e a criança assim o desejarem.
 
Importa Educar e Apoiar as mães, as famílias e a sociedade em geral, para que se possa Fortalecer a Amamentação – e esse é o lema da Semana Mundial do Aleitamento Materno 2022. Em Portugal alguns estudos demonstram que mais de 90% das mulheres iniciam o aleitamento materno, contudo, quase metade desiste no primeiro mês de vida do bebé.
 
Ainda existe um caminho muito importante para fortalecer a mensagem e reduzir os receios da amamentação, desde logo através:
  • da preparação para a amamentação antes do nascimento com apoio e aconselhamento aos pais pelos profissionais de saúde
  • da promoção da amamentação logo após o nascimento
  • do estabelecimento e a manutenção da amamentação através de um aconselhamento adequado
  • da proteção social e comercial da amamentação enquanto boa prática
 
O leite materno é um alimento completo e de fácil digestão que tem muitas vantagens para a criança, nomeadamente a prevenção de infeções gastrintestinas, respiratórias e urinárias, mas também de algumas alergias, ajuda na regulação térmica corporal, facilita a introdução de outros alimentos e reduz o risco de obesidade infantil. A longo prazo, adultos que tenham sido expostos ao leite materno têm menos incidência de hipertensão, diabetes e linfomas. Sob o ponto de vista materno a amamentação promove a contração do útero e facilita a perda de peso após o parto, promove a vinculação ao bebé, reduz o risco de cancro de mama e do ovário e reduz o risco de osteoporose. Tudo isto aliado a um baixo custo financeiro e, em Portugal, a proteção social – as mães que amamentam podem solicitar ajuste do horário laboral.
 
Existem contraindicações temporárias para o aleitamento materno como por exemplo herpes com lesões mamárias, tuberculose não tratada ou o uso de alguns medicamentos – nessas alturas a produção de leite deve ser estimulada e o bebé alimentado com uma alternativa. Existem raras situações em que a amamentação está contraindicada de forma absoluta: é o caso das mães com HIV/SIDA e nos bebés com galactosémia. Como alternativas à amamentação, a OMS recomenda os bancos de leite, as amas de leite e as fórmulas de leite adaptado.
 
A COVID-19 não é uma contra-indicação para a amamentação e a vacinação contra a COVID-19 está recomendada em grávidas e em mulheres que se encontrem a amamentar.
 
Numa altura em que vivemos a pandemia COVID-19 e o mundo experiência vários conflitos geopolíticos, temas com a segurança alimentar devem fazer parte das nossas preocupações. Nesta configuração social global faz sentido promover as melhores práticas e, claramente, amamentar é um dos melhores exemplos. Para isso, em sociedade, devemos estar conscientes da necessidade de Fortalecer a Amamentação!
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?
Editorial | Denise Cunha Velho
Internato centrado na grelha de avaliação curricular: defeito ou virtude?

Sou do tempo em que, na Zona Centro, não se conhecia a grelha de avaliação curricular, do exame final da especialidade. Cada Interno fazia o melhor que sabia e podia, com os conselhos dos seus orientadores e de internos de anos anteriores. Tive a sorte de ter uma orientadora muito dinâmica e que me deu espaço para desenvolver projectos e actividades que me mantiveram motivada, mas o verdadeiro foco sempre foi o de aprender a comunicar o melhor possível com as pessoas que nos procuram e a abordar correctamente os seus problemas. Se me perguntarem se gostaria de ter sabido melhor o que se esperava que fizesse durante os meus três anos de especialidade, responderei afirmativamente, contudo acho que temos vindo a caminhar para o outro extremo.